Maceió, especialmente a periferia do Benedito Bentes, apresenta alarmantes índices de abuso sexual contra crianças e adolescentes, revela a delegada Bárbara Arraes, coordenadora da Área da Infância e Juventude da Polícia Civil. Durante o I Encontro de Saberes e Resistência Periférica, realizado no último dia 31 de maio, Arraes afirmou que essa região concentra a maior parte dos casos de crimes sexuais vulneráveis no estado de Alagoas.
As meninas negras de até 13 anos representam a maior parte das vítimas, com 80% dos casos se referindo a esse perfil. Em uma análise das circunstâncias desses abusos, a delegada indicou que 61,7% dos estupros ocorrem na residência da vítima, e que entre os agressores, 64% são familiares. Este cenário revela que a violência muitas vezes é perpetrada por pessoas próximas.
A delegada ressaltou que a precarização das políticas públicas, incluindo saúde, educação e trabalho, contribui para o quadro alarmante de violência nas periferias. "As periferias são quilombos disfarçados", afirma Arraes, apontando a necessidade de uma abordagem holística para combater o racismo estrutural que alimenta essas dinâmicas sociais prejudiciais.
Outro ponto levantado foi a invisibilidade da temática racial nos diálogos políticos e sociais relacionados ao abuso de vulneráveis. Apesar das diversas iniciativas governamentais, a delegada questiona: "Como se discute estupro de vulnerável em crianças sem abordar o recorte de raça?" Essa reflexão é crucial para entender as raízes profundas do problema.
Arraes também expressou o seu compromisso em auxiliar o Governo do Estado na implementação da 2ª Delegacia de Crimes Contra Crianças e Adolescentes, com o intuito de proteger vidas e combater esses crimes. No entanto, enfatizou que, juntamente com melhorias nas estruturas de segurança, é essencial a criação de espaços que valorizem a memória coletiva, histórias e identidades, promovendo políticas antirracistas.
A urgência dessas ações torna-se cada vez mais evidente diante da crescente estatística de crimes, exigindo um olhar mais crítico e abrangente sobre as causas sociais dessas violências.