Como a evolução do aço poderia evitar tragédias

Por Autor Redação TNRedação TN

A análise do que poderia ter sido evitado no famoso naufrágio do Titanic nos traz à tona a importância da ciência e engenharia de materiais. Segundo a professora Paula Alvaredo Olmos, da Universidade Carlos III, a qualidade do aço atual é significativamente superior àquela utilizada em algumas das tragédias mais conhecidas da história tecnológica.

Com base em histórias marcantes, como a do ônibus espacial Challenger e do icônico navio Titanic, Olvaredo discute como os desastres poderiam ter sido mitigados ou até mesmo evitados com os avanços na fabricação e análise de materiais. Tragédias, como a do Challenger em 1986, revelaram a fragilidade de certos materiais em baixas temperaturas, um fator que contribuiu para a desintegração do ônibus espacial pouco depois de sua decolagem.

A fragilidade do aço do Titanic

O Titanic, que afundou em 15 de abril de 1912, é um exemplo notório de como deficiências na escolha de materiais podem levar a desastres fatídicos. A embarcação foi explorada em setembro de 1985 por Robert Ballard, que a encontrou a 3.700 metros de profundidade no Oceano Atlântico. A análise fez surgir questionamentos sobre o tipo de aço utilizado no casco do navio, que era vulnerável devido à alta temperatura de transição dúctil-frágil. O impacto contra o iceberg abriu uma série de furos que somavam 1.115 metros quadrados.

No contexto da época, o aço utilizado mostrava-se inadequado para as condições da água gelada do Atlântico, que estava em torno de -2° C. A tecnologia e o conhecimento sobre os materiais evoluíram muito desde então, proporcionando aos engenheiros ferramentas para criar aços mais resistentes a temperaturas extremas.

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Perigos nos navios Liberty

Outro exemplo histórico são os navios Liberty, construídos pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Embora suas placas de aço fossem soldadas e não unidas por rebites, alguns desses barcos sofreram quebras estruturais em temperaturas muito frias, liderando as investigações para um erro de soldagem. No entanto, a verdadeira causa estava na fragilidade do aço sob condições adversas, similar ao que ocorreu com o Titanic.

A temperatura mais baixa durante a guerra revelou que o aço utilizado para os cascos tornava-se quebradiço e se partia com facilidade sob intenso frio. O conhecimento moderno, que considera a composição e os conceitos médicos do aço, poderia ter prevenido esses retrocessos.

A tragédia do ônibus espacial Challenger

O incidente com o ônibus espacial Challenger, em 1986, marcou a história da exploração espacial. O lançamento contava com a professora Christa McAuliffe, simbolizando o renascimento do interesse espacial. Porém, um erro crítico na vedação dos propulsores, que usavam um material vulnerável a baixas temperaturas, levou a um desfecho trágico.

Com frio intenso registrado no dia do lançamento, a falha dos O-rings resultou em um desastre após apenas 73 segundos de voo, provocando a morte dos sete tripulantes a bordo. As lições aprendidas destacam a importância de considerar as propriedades físicas e químicas dos materiais, especialmente em condições climáticas extremas.

O Havilland Comet e a fadiga do metal

O Havilland DH.106 Comet, lançado em 1949, foi o primeiro avião comercial a jato. Embora tenha sido um marco na aviação, o modelo enfrentou desafios sérios, culminando em uma série de acidentes entre 1953 e 1954. A investigação evidenciou que as janelas quadradas projetadas na fuselagem contribuíam para a fadiga do metal.

Essa fraqueza estrutural se revelou fatal em situações específicas, levando a um redesign que priorizou a segurança, utilizando janelas ovais para reduzir a concentração de tensões. Esse desenvolvimento melhorou a segurança em toda a aviação.

Corrosão no ônibus espacial Columbia

Mais um exemplo da importância da engenharia de materiais é a desintegração do ônibus espacial Columbia, em 2003. O acidente ocorreu devido a um dano na asa esquerda durante o lançamento que expôs a estrutura interna à corrosão causada por gases quentes da atmosfera. Aqui, a corrosão de metais em ambientes especiais, especialmente aqueles expostos ao espaço, foi exacerbada pelo oxigênio raro. As inspeções modernas agora concentram-se na corrosão, garantindo um maior nível de segurança às missões espaciais.

Compromisso com a ciência e a engenharia de materiais

A série de desastres ao longo da história elucida a importância da formação em ciência e engenharia de materiais. Os avanços nessa disciplina podem prevenir falhas estruturais catastróficas, como as que ocorreram no passado. Olvaredo enfatiza a relevância de incentivar novas gerações a se engajar em áreas científicas, como o design de materiais, imprescindíveis para prevenirmos novos erros no futuro.

Ao considerar tudo isso, fica claro que a evolução do conhecimento sobre materiais é fundamental não apenas para melhorar a tecnologia, mas também para garantir a segurança em todos os setores, desde a aviação até a exploração espacial.

Tags: História, tecnologia, Segurança, Engenharia, Ciencia Fonte: g1.globo.com