Crise das Matronas: Menos de 300 Profissionais para 20.000 Pacientes

Por Autor Redação TNRedação TN

[Matronas da Atenção Primária em Madrid enfrentam sobrecarga de pacientes]. Reprodução: Elpais

Crise das Matronas: Menos de 300 Profissionais para 20.000 Pacientes

As matronas de Atendimento Primário em Madrid enfrentam uma grave crise que compromete o atendimento às mulheres da região. Com menos de 300 profissionais disponíveis para atender cartilhas de até mais de 20.000 pacientes, a situação se torna ainda mais preocupante durante períodos de férias e licenças médicas, quando muitas unidades de saúde ficam sem assistência adequada.

O Sindicato de Enfermeiros de Madrid denuncia a alta pressão sobre essas profissionais, que são responsáveis por uma vasta gama de serviços que vão além da saúde reprodutiva. "A falta de cobertura em dias de descanso ou durante a ausência de uma profissional provoca que muitas mulheres não recebam a assistência necessária", afirmam representantes do sindicato.

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, reconhece a importância do trabalho das matronas, mas especialistas alertam que a situação atual limita gravemente sua capacidade de atender adequadamente as pacientes. Durante a Semana Santa, por exemplo, os ambulatoriais operaram no limite, comprometendo a assistência a saúde sexual e reprodutiva feminina, um problema que se arrasta pelo sistema de saúde há anos.

As matronas se sentem insuficientes para lidar com todas as suas responsabilidades, que incluem não apenas a saúde reprodutiva, mas também a lactação, o puerperio e a educação sexual. O Sindicato de Enfermeiros argumenta que essa escassez de profissionais prejudica a execução de projetos importantes da Consejería de Saúde.

Com a crescente demanda, é cada vez mais difícil para essas profissionais atenderem com a qualidade desejada. "A escassez de matronas limita a realização de projetos de prevenção e cuidado, e muitas delas se sentem pressionadas e descontentes com a situação", acrescentam os representantes do sindicato.

María Sanz, matrona de Atendimento Primário: "Quando contratam uma nova colega, nosso salário é reduzido, pois a retribuição é proporcional ao número de pacientes atendidos. Se antes atendiamos 30.000, agora atendemos 15.000, mas o salário cai entre 180 e 250 euros".

Os dados são alarmantes: enquanto os médicos geralmente atendem cerca de 2.000 pacientes, as matronas lidam com até 20.000. A situação é ainda mais crítica em um contexto de elevada pressão assistencial e listas de espera que podem ultrapassar dois meses.

A solução proposta pela Consejería de Saúde aponta para um pequeno aumento no número de profissionais, com um acréscimo de 100 desde 2010, mas muitos especialistas defendem que essa ação é insuficiente dada a magnitude do problema. Além disso, a política de contratação e as condições salariais fazem com que muitas matronas considerem mudar de profissão.”

Uma das consequências mais preocupantes desse cenário é o abandono da profissão por especialistas que se sentem desmotivadas e desvalorizadas. O relatório sobre desigualdade no desenvolvimento das competências das matronas na Espanha, publicado em 2024, sublinha que a Comunidade de Madrid experimenta uma escassez significativa de profissionais em dispositivos de saúde sexual e reprodutiva.

Embora a Consejería de Saúde declare que a atividade assistencial no setor aumentou em 14% desde 2023, essa declaração não reflete as realidades enfrentadas cotidianamente pelas matronas. Muitas delas se veem obrigadas a encaminhar pacientes para cuidados secundários, mesmo quando deveriam ser atendidas nas unidades de saúde.

A situação se agrava com o aumento da complexidade dos casos atendidos, o que exige uma atenção ainda mais cuidadosa e especializada. Assim, a escassez de especialistas na área de obstetrícia e ginecologia reforça a sensação de que a saúde das mulheres está sendo prioritariamente negligenciada na Comunidade de Madrid.

Em conclusão, a falta de matronas não é apenas uma questão de número, mas também uma reflexão clara sobre como a saúde da mulher é tratada. Sem um esforço significativo para solucionar essa crise, muitas mulheres em Madrid continuarão sem a assistência que merecem e necessitam.

Tags: Saúde Pública, Matronas em Madrid, Atendimento Primário, Saúde Sexual, Crise na Enfermagem Fonte: elpais.com