Análise de mísseis norte-coreanos revela técnicas ultrapassadas

Por Autor Redação TNRedação TN

Mísseis balísticos da Coreia do Norte, com métodos desatualizados de até 50 anos, afirma o Ministério da Defesa da Ucrânia.. Reprodução: Businessinsider

Análise revela métodos ultrapassados na produção de mísseis norte-coreanos

Um novo relatório do Ministério da Defesa da Ucrânia, divulgado em abril de 2024, trouxe à tona detalhes sobre os mísseis balísticos norte-coreanos KN-23 e KN-24, encontrando evidências de que esses armamentos foram fabricados utilizando técnicas e materiais que podem ser considerados obsoletos.

De acordo com a análise, os destroços coletados em território ucraniano mostraram que os mísseis são compatíveis com os modelos produzidos na Coreia do Norte e, apesar de apresentarem semelhanças com os mísseis russos, utilizam combustíveis menos eficientes, além de necessitarem de motores 50% maiores para alcançar as mesmas distâncias.

Os engenheiros militares e cientistas ucranianos realizaram "estudos laboratoriais" nos destroços dos mísseis de combustível sólido, revelando que a qualidade do trabalho de soldagem desses mísseis é semelhante à de técnicas empregadas há cerca de 50 anos. Para se proteger do calor durante o voo, os mísseis utilizam uma proteção de grafite, uma solução considerada relativamente barata.

O relatório ressaltou ainda que o Ministério da Defesa da Ucrânia identificou os mísseis KN-23 e KN-24 a partir de esquemas sul-coreanos e fotografias de fábricas norte-coreanas, notando sete semelhanças principais. O KN-23, também conhecido como Hwasong-11A, foi mostrado pela primeira vez durante um desfile militar em 2018 e é frequentemente comparado ao míssil balístico de curto alcance russo, Iskander-M. Já o KN-24, conhecido como Hwasong-11B, estreou publicamente em 2019 e possui algumas similaridades com o míssil tático ATACMS, fabricado nos EUA.

No entanto, o relatório indica que, apesar dessas semelhanças, os mísseis da Coreia do Norte não se estabelecem como equivalentes diretos ao Iskander-9M723, mas sim refletem um desenvolvimento mais inicial da tecnologia balística que foi refinado com o tempo.

Além disso, os módulos de controle dos mísseis foram encontrados com componentes civis de marcas renomadas, levando à suposição de que Pyongyang está adquirindo esses chips para contornar sanções internacionais. A agência de inteligência militar da Ucrânia, GUR, afirmou ter identificado componentes nos mísseis fabricados por empresas da China, Japão, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos.

A Ucrânia noticiou que o KN-23 foi utilizado pela primeira vez em janeiro de 2024, quando mísseis foram lançados pela Rússia contra a cidade de Kharkiv, embora os oficiais ucranianos tivessem notado que esses armamentos apresentavam uma precisão e confiabilidade bastante questionáveis, com pelo menos metade dos mísseis explodindo no ar antes de atingirem seus alvos. Em fevereiro do mesmo ano, o país conseguiu derrubar mísseis KN-24 que foram dirigidos contra a capital, Kiev.

Em um contexto de intensificação do conflito, a Ucrânia acusou a Coreia do Norte de fornecer ao Kremlin pelo menos 148 mísseis balísticos. Desde o início da guerra, a Rússia procurou estreitar suas relações com a Coreia do Norte, recebendo apoio em forma de tropas e armamentos, com o objetivo de sustentar sua invasão e expulsar as forças ucranianas de Kursk.

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul expressaram preocupações sobre a crescente colaboração entre Moscou e Pyongyang, alertando que a Coreia do Norte tem adquirido conhecimentos significativos sobre táticas de combate e produção de armamentos durante este período de conflito.

Tags: Mísseis Norte-Coreanos, Tecnologia Militar, Análise Ucraniana, Segurança Global, Conflito Rússia-Ucrânia Fonte: www.businessinsider.com