O Irã apresentou uma nova proposta em relação ao seu estoque de urânio altamente enriquecido, em resposta a uma oferta recente dos Estados Unidos. Segundo informações do Wall Street Journal, o país se ofereceu para transferir parte desse estoque para um terceiro país, mas rejeitou a ideia de desmantelar suas instalações nucleares. Essa proposta surge em meio a um contexto de tensões crescentes e uma série de incidentes que ameaçam um cessar-fogo já frágil na região.
O presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que o Irã permitisse a passagem de navios pelo Estreito de Hormuz e que Washington encerrasse o bloqueio aos portos iranianos dentro de um mês. No entanto, até o momento, Teerã não demonstrou qualquer sinal público de aceitação desse plano. A proposta do Irã inclui a diluição de parte do urânio altamente enriquecido, com a condição de que o material transferido seja devolvido caso as negociações não avancem.
A resposta do Irã, que é descrita como extensa e detalhada, também inclui propostas para o fim dos combates e uma reabertura gradual do Estreito de Hormuz. Contudo, as duas partes ainda estão distantes em relação à questão nuclear, que continua sendo um ponto crítico nas negociações. O conflito atual já resultou na morte de milhares de pessoas e na elevação dos preços de energia, o que tem gerado pressão sobre governos e consumidores em todo o mundo.
Trump, em suas declarações, criticou as negociações anteriores dos ex-presidentes Barack Obama e Joe Biden com o Irã, afirmando que o país tem “brincado” com os EUA e outros países. Ele alertou que os EUA poderiam “seguir um caminho diferente” se um acordo não fosse alcançado, sugerindo uma versão ampliada do Project Freedom, que visava quebrar o bloqueio marítimo imposto pelo Irã. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também se manifestou, afirmando que a guerra ainda não acabou e que mais trabalho precisa ser feito para desmantelar a capacidade nuclear do Irã.
Apesar do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, novos ataques, como um recente ataque de drone que incendiou um navio cargueiro perto do Catar, indicam que a situação permanece volátil. Os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait, que foram alvos de ataques iranianos nos últimos meses, relataram ter interceptado drones hostis. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, advertiu o Reino Unido e a França de que a presença de seus navios de guerra no Estreito de Hormuz resultaria em uma “resposta decisiva e imediata” das forças armadas iranianas.
O conflito, que começou com ataques conjuntos dos EUA e Israel ao Irã em fevereiro, impactou significativamente os mercados de petróleo e gás, levando a um aumento nos preços dos combustíveis. A Saudi Aramco, a maior petroleira do mundo, afirmou que o mercado levaria meses para se normalizar, mesmo que o Estreito de Hormuz fosse reaberto imediatamente. O presidente-executivo da Aramco, Amin Nasser, indicou que a interrupção da oferta poderia persistir até 2027, caso o comércio e o transporte continuem limitados.
Enquanto isso, dados de rastreamento de navios mostram que o Al Kharaitiyat, um navio-tanque do Catar, conseguiu cruzar o Estreito de Hormuz, marcando a primeira exportação do Catar para fora da região desde o início da crise. Esse carregamento faz parte das negociações do Paquistão com o Irã para permitir que o país asiático receba cargas adicionais de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, atendendo a uma demanda urgente. A situação continua a evoluir, com as maiores economias do Golfo se adaptando e encontrando maneiras de escoar sua produção de energia.
A Aramco e a estatal Abu Dhabi National Oil Co. (Adnoc) estão entre as empresas que enviaram cargas de petróleo pelo estreito desde que o Irã efetivamente o fechou. O mercado de petróleo, que já estava sob pressão, enfrenta novos desafios à medida que a crise se prolonga.