Corrida por terras raras acelera com investimentos de US$ 3 bi nos EUA

Por Autor Redação TNRedação TN

Corrida por terras raras acelera com investimentos de US$ 3 bi nos EUA

A corrida por terras raras está se intensificando nos Estados Unidos, com a empresa USA Rare Earth liderando uma série de investimentos que totalizam US$ 3 bilhões. Este movimento ocorre em um contexto de crescente pressão do governo americano para reduzir a dependência do país em relação à China, que atualmente detém o controle significativo sobre o setor de terras raras, essenciais para a produção de tecnologias modernas, como ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e dispositivos eletrônicos. Nos últimos meses, a USA Rare Earth fechou quatro negócios importantes, incluindo a aquisição de uma mina no Brasil e de uma fabricante de metais, um dos poucos ativos valiosos de terras raras no Ocidente.

A empresa, que até recentemente não gerava receita, conseguiu garantir US$ 1,6 bilhão em financiamento junto ao governo dos EUA para desenvolver uma mina no Texas e uma fábrica de ímãs em Oklahoma. Barbara Humpton, diretora executiva da USA Rare Earth, afirmou que a empresa não busca apenas consolidar o mercado, mas sim expandir e ganhar escala. O CEO da Energy Fuels, Ross Bhappu, também destacou que empresas com partes isoladas da cadeia de suprimentos estão interessadas em se integrar mais ao setor.

A corrida por terras raras é vista como uma resposta à necessidade de os governos ocidentais quebrarem a dependência da China, que tem dominado o mercado por anos. A falta de investimentos significativos na indústria de terras raras no Ocidente foi um obstáculo, mas a situação está mudando. O governo dos EUA, sob a administração de Donald Trump, anunciou compromissos de financiamento que somam US$ 18,6 bilhões para o setor de minerais críticos, com a maioria desse montante direcionada à cadeia de valor de terras raras.

As terras raras são fundamentais para a produção de ímãs permanentes, que são vitais para a fabricação de uma variedade de produtos, desde veículos elétricos até equipamentos militares. A crescente demanda por essas tecnologias está impulsionando a corrida por ativos de terras raras, com empresas menores oferecendo seus ativos para aqueles que buscam consolidar o mercado. Recentemente, a USA Rare Earth anunciou um acordo de US$ 2,8 bilhões para adquirir a Serra Verde, uma empresa que opera uma mina e uma planta de processamento no Brasil.

Além disso, a empresa também adquiriu uma participação na processadora francesa Carester. Esses movimentos são parte de uma estratégia mais ampla para garantir uma cadeia de suprimentos mais robusta e menos dependente da China. O CEO da Serra Verde, Thras Moraitis, comentou que o acordo com o governo dos EUA removeu o risco para sua empresa, garantindo um preço mínimo para a produção inicial durante 15 anos.

Essa segurança financeira é vista como um passo crucial para a expansão da produção de terras raras fora da China. A corrida por terras raras não é apenas uma questão econômica, mas também uma questão de segurança nacional. A capacidade de produzir e processar esses minerais críticos é vista como essencial para a autonomia tecnológica dos Estados Unidos e de seus aliados.

À medida que a demanda por tecnologias sustentáveis e eletrificação aumenta, a importância das terras raras só tende a crescer. A competição no setor está se intensificando, com a expectativa de que apenas algumas empresas conseguirão se estabelecer como líderes de mercado. A USA Rare Earth, com seus recentes investimentos e aquisições, está bem posicionada para se tornar uma das principais fornecedoras de terras raras no Ocidente, mas a batalha contra a dominação chinesa ainda está longe de ser decidida.

Tags: Terras Raras, Investimentos, EUA, China, USA Rare Earth Fonte: redir.folha.com.br