Em um marco de 17 anos desde que o estado de Alagoas foi convidado a participar do Consed em Porto Alegre, a história de protagonismo em educação antirracista surge novamente. O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) se reuniu recentemente em São Paulo, onde a Secretaria de Estado da Educação, representada por Roseane Vasconcelos e sua equipe, esteve presente para discutir o futuro da educação no Brasil.
A participação de Alagoas naquela ocasião, em 2008, foi ímpar. O estado foi o único do Brasil convocado para apresentar suas iniciativas na área de políticas antirracistas. Arisia Barros, que na época ocupava o cargo de gerente de Educação Étnico-Racial da SEE, destacou na palestra intitulada “Identidade Negra em Alagoas: construindo uma educação plural” os significativos avanços do estado na implementação de ações educacionais antirracistas. Entre as conquistas estava a adoção da Lei Federal nº 10.639/03, que foi também contemplada pela Lei Estadual nº 6.814/07, sancionada em 2 de julho de 2007, que introduziu a temática africana nos currículos escolares.
Alagoas se estabeleceu como um exemplo a ser seguido, tornando-se referência no que tange à inserção do antirracismo na educação. Isso foi demonstrado através da realização de encontros mensais de educação afro-alagoana, que coletava educadores de diversas instituições no estado. Contudo, a ativista que leu sobre a participação da Seduc no encontro de São Paulo se questiona: será que houve a troca de conhecimento e discussão sobre as práticas antirracistas que marcaram a história educacional de Alagoas?
A resposta, parece, é negativa. Apesar de Alagoas ter liderado a implementação da Lei nº 10.639/03, a sensação é de que o estado está caminhando para trás em relação a essa temática crucial. Nos dias atuais, questões como o currículo e a formação de professores remontam a debates que datam desde a II Reunião Ordinária do Consed, realizada em 2008.
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial em Alagoas destaca a importância de revisitar experiências anteriores e as iniciativas que transformaram a educação local. Assim, a interrogação prevalece sobre o real comprometimento da Seduc em levar à frente as discussões sobre práticas que ajudem a consolidar uma educação verdadeiramente antirracista.
Ao vislumbrar esse passado de referência, é fundamental que as experiências e aprendizados de Alagoas sejam novamente colocados em pauta, não apenas como um eco de um passado glorioso, mas como um guia prático e necessário para o presente e futuro da educação antirracista no Brasil.