Resumo: a Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três responsáveis por uma unidade da rede Liberte-se, no Lago Oeste, em uma operação batizada Portas Abertas, após denúncias de irregularidades, incluindo cárcere privado, agressões físicas e restrição de contato com familiares, conforme apurado pelos investigadores.
Contexto: incêndio anterior e fiscalização
Antes deste desdobramento, uma das filiais da Liberte-se, situada na chácara quatrocentos e vinte do Núcleo Rural Colombo Cerqueira, Paranoá, pegou fogo na madrugada de trinta e um de agosto, deixando cinco mortos e onze feridos. O fogo atingiu a sede, onde estavam cerca de vinte internos, enquanto outros vinte e seis estavam em dormitórios externos; todos foram retirados, com cinco corpos carbonizados encontrados na sede, que estava trancada e com grades, dificultando a saída.
Até o fim de agosto, antes do incêndio, a Liberte-se atuava com três unidades no Distrito Federal: a chácara quatrocentos e vinte, Paranoá; a chácara quatrocentos e setenta, Paranoá; e a unidade Lago Oeste, Sobradinho II. A chácara quatrocentos e setenta teve a validade de licença vencida no mês anterior, tornando-a irregular; o funcionamento na chácara quatrocentos e vinte não estava previsto no licenciamento existente para o CNPJ da empresa localizada na quatrocentos e setenta, o que também indicaria irregularidade.
As denúncias citavam indícios de cárcere privado, agressões físicas, restrição de contato dos internos com familiares e administração irregular de medicamentos.
O DF Legal explicou que, para obter o alvará de funcionamento, um estabelecimento precisa apresentar uma série de documentos que atestem segurança e operacionalidade, o que não ocorreu no caso em questão. O Ministério Público local não foi citado diretamente no material original, mas as informações disponíveis apontam para uma atuação múltipla de órgãos no acompanhamento da situação.
Operação Portas Abertas e prisões
Nesta terça-feira, equipes da delegacia de Sobradinho II ouviram vinte e sete pacientes da clínica Liberte-se, que confirmaram relatos de irregularidades. Os proprietários da clínica e um coordenador foram autuados em flagrante pelo crime de cárcere privado e permanecem à disposição da Justiça. Ao longo do dia, o delegado responsável informou que os três suspeitos devem passar por audiência de custódia na quarta-feira seguinte, quando a Justiça definirá se permanecerão em liberdade ou em prisão preventiva.
O g1 acionou o DF Legal e a Secretaria de Saúde do DF para saber se a clínica seria interditada formalmente e para onde seriam encaminhados os internos caso haja interdição. As respostas oficiais ainda eram aguardadas ao fechamento desta edição.