Setor público brasileiro tem superávit em outubro
Em outubro, o setor público brasileiro registrou um superávit primário de R$ 32,4 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Embora representando um resultado positivo, essa cifra é inferior ao superávit de R$ 36,9 bilhões observado no mesmo mês do ano anterior.
No entanto, as estatais enfrentaram um desafio em suas finanças, apresentando um déficit de R$ 149 milhões. Esse fato se destaca em um contexto onde as despesas com juros da dívida totalizaram R$ 113,9 bilhões no mês.
O resultado do setor público consolida a tendência de dificuldades enfrentadas pelas empresas estatais, que têm visto suas receitas operacionais diminuírem enquanto lidam com uma pressão crescente em seus custos operacionais.
O setor público consolidado, que abrange entidades como o Tesouro, a Previdência e o Banco Central, teve um desempenho considerável, sendo responsável pela maior parte do superávit primário, com R$ 36,2 bilhões. Em contrapartida, estados e municípios registraram um déficit de R$ 3,6 bilhões, impacto que foi amplificado pela contribuição negativa das estatais.
No acumulado dos últimos 12 meses até outubro, o setor público mantém um déficit primário de R$ 37,7 bilhões, o que equivale a 0,30% do PIB, um aumento em relação a setembro, que foi de 0,27%.
Despesas com juros em alta
Embora o superávit nas despesas primárias indique uma situação fiscal favorável, o setor público ainda enfrenta altos gastos relacionados aos juros da dívida. Em um ano em que o custo de dinheiro se mantêm elevado, as despesas totais com juros atingem R$ 987,2 bilhões, representando quase 8% do PIB.
A dívida líquida do setor público também apresenta números preocupantes. Em outubro, a dívida líquida atingiu 65% do PIB, totalizando R$ 8,1 trilhões, o que representa um aumento de 0,2 ponto percentual em comparação com o mês anterior. Essa elevação está associada a uma combinação de fatores, incluindo o aumento dos juros e a queda do PIB nominal.
Por sua vez, a dívida bruta também apresentou crescimento, alcançando 78,6% do PIB, o que equivale a R$ 9,9 trilhões. Essa medida, mais utilizada no mercado internacional devido à sua abrangência, subiu 0,6 ponto percentual no mês, reflexo dos mesmos fatores que afetaram a dívida líquida.
Portanto, os dados revelam uma necessidade urgente de reforma fiscal no país, com um olhar especial sobre o equilíbrio das contas públicas, a recuperação das receitas estatais e os custos crescentes que pressionam a máquina pública brasileira.