Portugal é o segundo país mais envelhecido da União Europeia
Portugal se destaca como o segundo país mais envelhecido da União Europeia, apenas atrás da Itália, enfrentando uma séria crise demográfica. Atualmente, a porcentagem da população em idade ativa para o trabalho caiu para 63%. Em contrapartida, 70% dos brasileiros residentes em Portugal estão nesta faixa etária, ressaltando a importância da imigração para o mercado de trabalho português.
A diminuição da população ativa, que representa cerca de 6,7 milhões de pessoas, é preocupante, pois reflete uma tendência observada em quase toda a UE, com exceção de países como Luxemburgo, Chipre e Malta. A Pordata, um importante repositório de dados em Portugal, informou que a proporção de crianças e adolescentes caiu drasticamente, de 16,3% para 12,8% entre 2001 e 2024. Esse fenômeno resulta em um aumento do peso da população idosa, que reflete diretamente na economia do país.
Embora os desafios sejam evidentes, a imigração surge como uma saída para a crise. A comunidade brasileira é a maior comunidade de imigrantes em Portugal, com cerca de 700 mil brasileiros. Esses imigrantes não apenas compõem a maior força de trabalho estrangeira, mas também apresentam uma taxa impressionante, com aproximadamente 70% em idade ativa. O relatório de 2024 da Agência de Imigração de Portugal (AIMA) enfatiza que a população total de imigrantes em idade ativa é ainda maior, alcançando cerca de 85%.
Recentemente, um dado animador emergiu: nascimentos de bebês de brasileiras em Portugal aumentaram 320% desde 2017. Isso traz um alívio significativo à situação demográfica, contribuindo para um futuro mais otimista, onde a imigração torna-se um pilar fundamental para a recuperação.
No entanto, a crise demográfica continua a ser um sério desafio. Um estudo da Pordata revelou que a população em idade ativa caiu de 67,4% para 63,1%, o que significa menos trabalhadores disponíveis e um aumento do número de pessoas idosas que dependem de assistência social. O cenário é preocupante, já que muitos desses trabalhadores em idade ativa são menos escolarizados, e aproximadamente 40% não possuem o ensino médio completo.
“O aumento do peso da população idosa acompanha a diminuição da proporção de crianças e jovens até aos 15 anos no país, que caiu de 16,3% para 12,8%, entre 2001 e 2024”,
afirmou uma análise da Pordata, sublinhando a necessidade de políticas mais eficazes para lidar com a crise demográfica e de formação de mão de obra.
A balança migratória em Portugal, anterior a uma década de declínio, agora mostra números positivos, um reflexo da crescente população estrangeira e da contribuição vital que a imigração, especialmente a brasileira, está trazendo para a economia local. Portanto, apesar dos desafios que Portugal enfrenta, a crescente influência da comunidade brasileira pode se mostrar crucial para reverter o panorama demográfico negativo e revitalizar a força de trabalho do país.