Ucrânia reivindica ataque a petroleiros da frota russa no Mar Negro
A Ucrânia assumiu a responsabilidade por um ataque a dois petroleiros russos no Mar Negro, parte da chamada "frota fantasma" que Moscou utiliza para contornar as sanções ocidentais. Este ataque foi realizado com o uso de drones Sea Baby. O presidente Volodymyr Zelensky, por sua vez, enfrenta uma intensa pressão dos EUA, além de um escândalo de corrupção que resultou na renúncia de Andriy Yermak, seu chefe de Gabinete e figura-chave nas negociações de paz com a Rússia.
No último sábado (29), a Ucrânia informou ter atingido os navios da frota fantasma russa, que servem ao governo de Moscou para driblar as restrições impostas pela comunidade internacional. A operação foi conduzida em conjunto entre o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) e a Marinha ucraniana, conforme revelou uma fonte à agência AFP. Os petroleiros Kairo e Virat estavam vazios e se dirigiam ao porto de Novorossiysk para reabastecimento no momento em que foram atacados.
Crise interna e pressão externa
O presidente ucraniano, Zelensky, declarou, em um pronunciamento na sexta-feira (28), que Andriy Yermak, seu chefe de Gabinete, apresentou sua carta de demissão após a Polícia realizar buscas na residência dele. Essa ação faz parte de uma ampla investigação de corrupção que afeta a atual administração ucraniana. Zelensky não escondeu a intensidade da crise em que se encontra, ressaltando a necessidade de uma reformulação no Gabinete da Presidência da Ucrânia.
"Não quero que ninguém tenha dúvidas sobre a Ucrânia hoje. Portanto, temos as seguintes decisões internas. Primeiro, haverá uma reformulação do Gabinete da Presidência da Ucrânia. O chefe do Gabinete, Andriy Yermak, apresentou sua carta de demissão", afirmou Zelensky.
Desde o início da invasão russa, há quase quatro anos, Yermak foi fundamental nas rodadas de negociações com os Estados Unidos, incluindo uma recente reunião em Genebra com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Apesar da erosão da confiança em sua posição, a UAB (Administração de Negócios Ucranianos) continua a enfrentar o desafio de manter o foco nas negociações de paz em meio a um clima de desconfiança interna.
As denúncias de corrupção se agravam à medida que a Ucrânia busca um acordo que encerre a guerra com a Rússia, cujo impacto já é profundo na sociedade e economia ucraniana. A tensão permanece elevada, não apenas pelas ações no Mar Negro, mas também por questões administrativas que colocam à prova a capacidade do governo de Zelensky liderar a nação em tempos de crise.
O capítulo atual da história ucraniana é marcado por desafios significativos, tanto no campo militar quanto na política interna. A coordenação entre as forças de segurança e as ações do governo se torna cada vez mais crucial para superar as dificuldades que o país enfrenta em seu caminho para a estabilidade e a paz.