Estados Unidos analisa novo controle de redes sociais de viajantes
A proposta da administração norte-americana pode exigir que viajantes estrangeiros revelem até cinco anos de seu histórico em redes sociais para conseguir entrar no país. Essa medida, que visa aprimorar a segurança nas fronteiras, foi apresentada pela Oficina de Aduanas e Proteção de Fronteiras (CBP) e pelo Departamento de Segurança Nacional (DHS).
Atualmente, cidadãos de aproximadamente 40 países, incluindo muitos da Europa, Austrália, Japão, Coreia do Sul e Israel, podem entrar nos Estados Unidos por até 90 dias sem a necessidade de visto ao preencher o Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA). Este sistema já exige que o viajante forneça dados biográficos básicos e informações de contato.
Segundo a nova proposta, as redes sociais se tornariam um “elemento de dados obrigatório” na solicitação do ESTA. Isso significa que os solicitantes teriam que fornecer informações sobre sua atividade nas redes sociais nos últimos cinco anos. Embora a proposta não especifique quais plataformas ou tipos de informações seriam solicitadas, também poderia incluir números de telefone utilizados nos últimos cinco anos, endereços de e-mail dos últimos dez anos, além de dados familiares como nomes, datas de nascimento e endereços.
Além disso, a CBP planeja coletar dados técnicos e biométricos adicionais, como endereços IP, metadados de imagens e identificadores biométricos, entre eles imagens faciais, impressões digitais, ADN e dados de íris. Existe a sugestão de que uma selfie também seja enviada como parte do processo de solicitação do ESTA.
Esses dados já são coletados na chegada às fronteiras dos EUA. Contudo, a proposta transferiria esse processo para a etapa anterior à viagem. Outra mudança sugerida seria a exclusividade de um aplicativo móvel para a solicitação do ESTA, eliminando a possibilidade de fazer isso via site. A CBP estima que mais de 14 milhões de pessoas por ano poderiam utilizar esse aplicativo se os novos procedimentos forem implementados.
A proposta foi publicada no Registro Federal e está aberta a comentários públicos por um período de 60 dias. As autoridades afirmam que essas medidas são parte de um esforço mais amplo para aumentar a segurança nas fronteiras e enfrentar ameaças à segurança nacional, citando uma ordem executiva assinada pelo ex-presidente Donald Trump.
A administração anterior já havia adotado uma postura mais rigorosa em questões de imigração e viagens. Desde 2019, todos os solicitantes de vistos, tanto de imigração quanto não-imigração, devem revelar suas contas em redes sociais, uma política que foi iniciada durante o governo Trump.
A nova proposta surge após o governo republicano suspender a semana passada todos os trâmites migratórios de pessoas de 19 países atualmente sujeitos a proibições de viagem, em resposta a um incidente fatal que envolveu a Guarda Nacional em Washington D. C.
A proposta gerou críticas de defensores dos direitos digitais e especialistas em imigração, que argumentam que isso poderia desencorajar visitantes e levantar questões sobre liberdades civis. Muitos acreditam que a divulgação forçada do histórico em redes sociais pode levar a uma autocensura dos viajantes e até a uma redução no turismo para os Estados Unidos.
Além disso, especialistas apontam que essa ampliação na coleta de dados pode aumentar o tempo para a aprovação do ESTA, criando incertezas para viajantes que planejam visitas curtas.
Essa proposta chega em um momento crítico, à medida que os Estados Unidos se preparam para importantes eventos internacionais, como a Copa do Mundo FIFA 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, o que pode afetar o fluxo de visitantes estrangeiros. De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, os Estados Unidos são a única das 184 economias analisadas que deve experimentar uma queda no gasto de visitantes internacionais em 2025.