O cenário musical foi abalado com a notícia do falecimento de Robe Iniesta, renomado músico e fundador da banda Extremoduro, aos 63 anos. Ele faleceu de maneira inesperada, levando fãs e colegas à consternação. Seu agente comunicou o trágico evento na madrugada, revelando que Iniesta lutava contra uma doença há alguns meses, a qual seus familiares optaram por manter em sigilo.
A última apresentação pública de Robe ocorreu no ano passado, quando ele cancelou uma série de shows em Madrid após ser diagnosticado com um tromboembolismo pulmonar. Em uma entrevista no mês passado, enquanto promovia seu álbum "Se nos leva el aire", Robe compartilhava com leveza suas impressões sobre o futuro e as dificuldades enfrentadas ao longo de sua trajetória artística.
"Uf. Não sei se será essa idade, mas que na próxima turnê eu vou ter muitos anos, pois sim. E, além disso, alguns anos de jovem contam como anos de cachorro [risos]. Então, em 2027, terei mais de cem anos."
A contribuição de Robe Iniesta para a música espanhola é inegável, conforme mencionou seu representante. Ele foi considerado o último grande filósofo e humanista da língua espanhola, cujas músicas tocaram profundamente várias gerações. Desde o início de sua carreira, sua obra foi marcada por letras que exploravam temas de marginalidade, amor e introspecção.
A ascensão da Extremoduro surpreendeu a indústria musical, sendo um fenômeno que surgiu da cultura de rua, conquistando fãs através de shows em pequenos bares e um forte apoio popular. Robe usou uma abordagem revolucionária semelhante ao crowdfunding, vendendo bilhetes por antecipação para financiar a gravação de seu primeiro álbum. Essa inovação, somada à profundidade e intensidade de suas letras, fez com que ele rapidamente se tornasse uma voz emblemática do rock urbano.
Suas canções, como "Jesucristo García" e "La hoguera", destacaram a resistência e as lutas de indivíduos que a sociedade ignorava, sempre acompanhadas de uma musicalidade crua e poderosa. A primeira fase de sua carreira foi marcada por desafios pessoais, incluindo arrependimentos com substâncias e um estilo de vida caótico que gradualmente foi se transformando.
Ao longo dos anos, Robe se destacou não apenas como músico, mas também como poeta e escritor, ampliando sua arte com influências literárias que iam de clássicos a poetas contemporâneos. O álbum "Agila", lançado em 1996, simbolizou um marco na evolução da sua música, com letras cada vez mais elaboradas e arranjos cuidadosos.
A relação de Robe com seu colega de banda, Iñaki Uoho, foi uma das chaves para o sucesso continuado da Extremoduro. Entretanto, apesar do enorme reconhecimento e das grandes turnês, a amizade e a parceria profissional enfrentaram dificuldades que culminaram no fim da banda. A separação de Robe de sua banda começou com sua decisão de seguir em frente com uma carreira solo, após o término da turnê final da Extremoduro que foi interrompida pela pandemia.
Os últimos trabalhos de Robe, incluindo os álbuns "Mayéutica" (2021) e "Se nos lleva el aire" (2023), revelaram um artista em estado de graça, refletindo sobre a condição humana e buscando compartilhar sabedoria com o mundo através de suas letras emotivas.
Robe Iniesta deixa um legado incomparável que ressoa na memória de fãs e admiradores. Sua capacidade de emocionar e conectar-se com o público através da música e da poesia garantirá que sua voz e sua arte continuem a viver, mesmo após sua partida.