Colaboração entre agências facilita deportação de imigrantes nos EUA
Documentos recentes revelam uma colaboração polêmica entre a Administração de Segurança do Transporte (TSA) e o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos, onde informações sobre todos os passageiros aéreos são compartilhadas com autoridades de imigração. Essa cooperação tem como objetivo localizar e deter migrantes que possuem ordens de deportação.
Segundo informações do The New York Times, essa prática, que começou em março, permite que agentes do ICE obtenham dados sobre os voos que passaram por screening de segurança pela TSA. Assim, eles podem identificar passageiros com pendências jurídicas antes mesmo do embarque, aumentando a possibilidade de detenção no aeroporto.
A recente detenção de Any Lucía López Belloza, uma jovem de 19 anos, exemplifica essa situação. Ela foi interceptada no aeroporto Logan de Boston enquanto se preparava para visitar sua família durante o Dia de Ação de Graças. Apesar das intenções festivas, López Belloza foi deportada para Honduras após descobrir que havia uma ordem de deportação contra ela.
A TSA já compartilhava dados com companhias aéreas para fins de segurança e prevenção à atividade terrorista. No entanto, o uso dessas informações para fins de detenção imigratória representa uma nova abordagem por parte do governo. O aumento dessa vigilância tem gerado reações alarmadas de grupos de defesa dos direitos dos migrantes.
Murad Awawdeh, presidente da Nova York Immigration Coalition, expressou a preocupação com essa nova prática. “Isso não faz mais do que aterrorizar comunidades e punir pessoas por simplesmente tentarem viver suas vidas. Ninguém deveria temer que um simples voo para visitar a família poderia terminar em prisão e deportação”, declarou em um comunicado.
A situação de López Belloza não foi um caso isolado. O The New York Times também relatou a deportação de Marta Brizeyda Renderos Leiva, uma mulher salvadoreña que foi presa no aeroporto de Salt Lake City devido a essa troca de informações entre as agências.
A colaboração entre a TSA e o ICE é parte das tentativas da administração Trump de intensificar a aplicação de leis de imigração. O ex-presidente expressou descontentamento com o ritmo das detenções, que não atingiu a meta de deportar um milhão de imigrantes durante seu mandato. Este cenário destaca um movimento indiscriminado do governo para facilitar a atividade de detenção.
O aumento do compartilhamento de dados por parte de agências governamentais, que já incluía polêmicas colaborações com a Agência Tributária, levanta questões sobre a vigilância contínua a que essas comunidades são submetidas. “Essa situação envia uma mensagem clara aos migrantes de que estão sendo constantemente monitorados, e que seus direitos podem ser desconsiderados a qualquer momento”, completa Awawdeh.
Esses desenvolvimentos não afetam somente os migrantes; moradores e cidadãos dos Estados Unidos também devem estar atentos, uma vez que a erosão dos direitos dos imigrantes pode ser um indicativo de uma diminuição mais ampla de direitos civis.