Desolação em Buenos Aires: Comunidade traumatizada por ataque armado
Uma recente onda de violência em Buenos Aires, no norte do Cauca, deixou a pequena cidade em um estado de traumática desolação, poucos dias antes do Natal. No dia 16 de dezembro, o município, usualmente vibrante de celebrações, foi alvo de um ataque armado por parte de dissidentes das FARC, que deixou casas destruídas e famílias em estado de pânico.
Durante mais de nove horas, combatentes do grupo dissidente conhecido como Jaime Martínez sitiaram a sede da polícia municipal. Aproximadamente 300 homens armados, vestidos de camuflado, atacaram com explosivos e armas de fogo, criando um cenário de terror que os moradores ainda não conseguiram processar. Apesar de não haver vítimas fatais, oito policiais ficaram feridos durante o confronto, enquanto a população escutava os disparos aterrorizada.
Os moradores se lembram do dia em que a música natalina dos altoparlantes da igreja foi abruptamente interrompida por tiros e explosões. Um aviso dos dissidentes foi transmitido, alertando que tinham apenas dez minutos para evacuar. “Saímos de casa quando os drones começaram a sobrevoar”, contou uma das sobreviventes do ataque, relatando a apreensão e o desespero que dominaram a comunidade.
Com as residências e a vida cotidiana abruptamente interrompidas, muitos fugiram buscando segurança em áreas mais afastadas. As cenas de evacuação lembra os momentos mais sombrios da história do Cauca, quando a região era marcada por conflitos constantes. “Desde aquele dia não escutamos os sons festivos do Natal”, lamenta um morador.
O ataque não apenas despertou memórias de uma guerra que parecia ter ficado para trás, mas também levantou questões sobre a segurança e a presença do estado na região. O ministro da Defesa justificou a resposta tardia do exército devido a condições climáticas, enquanto a comunidade assegura, através de vídeos, que o tempo estava claro no momento da tragédia.
Buenos Aires, que conta com uma população de cerca de 30 mil pessoas, é um ponto estratégico para a mineração de ouro e carvão, além da produção de folhas de coca. A cidade, até então, havia evitado o tipo de ataque que agora a marcada, embora sinais de alerta fossem notados por algumas famílias que já haviam sido avisadas sobre possíveis invasões.
A presença de grupos armados na região é uma realidade há décadas, e apesar do processo de paz estabelecido em 2016, o vazio deixado por grupos desintegrados é rapidamente preenchido por novas facções, como demonstrado pelo ataque recente. “Ninguém pode entender o porquê de ter ocorrido isso”, declarou um ex-prefeito da cidade, enfatizando a impropriedade do ataque e a falta de assistência militar adequada na hora crítica.