Explosão do Foguete HANBIT-Nano: Desafios e Aprendizados
O professor Carlos Brito, coordenador do projeto do satélite Jussara-K da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), recebeu um choque inesperado quando o foguete sul-coreano HANBIT-Nano, que carregava o satélite, explodiu durante o lançamento em Alcântara, Maranhão. O incidente aconteceu logo após a decolagem, quando uma anomalia foi detectada, resultando em um desfecho trágico para o projeto.
Brito comentou sobre as experiências adquiridas com o evento, afirmando que, apesar do resultado infeliz, o projeto sempre foi encarado como uma oportunidade de aprendizagem para alunos da universidade. "A experiência prática é fundamental. Estávamos cientes dos riscos, e essa dinâmica é inerente ao setor aeroespacial", declarou.
O foguete HANBIT-Nano, desenvolvido pela empresa sul-coreana Innospace, tinha como objetivo colocar em órbita o satélite Jussara-K. No entanto, a explosão resultou na perda do dispositivo e impactou diretamente o trabalho do professor e de seus alunos, que acompanharam o voo a sete quilômetros da base de lançamento.
O docente descreveu o momento da decolagem: "A atmosfera era de animação e expectativa, mas já durante a subida percebi que algo estava errado. As faíscas eram um sinal de alerta. O foguete estava muito baixo para o que esperávamos", afirmou Brito.
Conforme relato do CEO da Innospace, Kim Soo-jong, o lançamento ocorreu normalmente, mas a anomalia foi detectada cerca de 30 segundos após a decolagem. "A medida de queda do veículo foi tomada para garantir a segurança da área ao redor da base. Fomos alertados sobre chamas decorrentes do impacto no solo", explicou. O CEO também reconheceu que os riscos fazem parte do setor e enfatizou a importância da segurança.
A universidade, ao firmar parceria com a Innospace, tinha ciência de que o sucesso de lançamentos não era garantido. "São riscos que quem trabalha no setor assume. Assinamos termos de compromisso sendo cientes das possíveis consequências. Isso é algo que ocorre em lançamentos em escala mundial", afirmou Brito.
Em relação aos investimentos financeiros, o professor ressaltou que os recursos foram direcionados para a fabricação do satélite e para a compra de um deployer, vital para o lançamento da carga em órbita. Os financiamentos vieram de parcerias com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Maranhão (Fapema).
Apesar das dificuldades enfrentadas com a explosão do foguete, Brito acredita que o impacto pedagógico foi positivo. O projeto Jussara-K atuou como um laboratório prático para seis alunos de Engenharia Aeroespacial da UFMA, proporcionando experiências valiosas durante dois anos de preparação.