Governo brasileiro minimiza acidente com foguete sul-coreano em Alcântara
Após a explosão do foguete sul-coreano HANBIT-Nano no Maranhão, o governo brasileiro mantém um tom otimista, descrevendo o evento como um "marco histórico" no âmbito das operações espaciais comerciais no país. A Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação destacaram a importância desse lançamento, mesmo com o incidente, e que a Força Aérea Brasileira investigará as circunstâncias do acidente.
A explosão aconteceu logo após a decolagem, na noite de anteontem, e foi a primeira vez que um foguete comercial foi lançado a partir do Brasil, o que foi celebrado por autoridades como um avanço significativo para o país no mercado internacional de lançamentos espaciais. O evento foi realizado no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), que é visto como um importante espaço para o desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais.
De acordo com a AEB, o lançamento ocorreu normalmente em todas as etapas sob a responsabilidade brasileira, ressaltando que eventos como esse são parte do processo de desenvolvimento em atividades espaciais e contribuem para a evolução dos sistemas e a confiabilidade de futuras missões. O Ministério da Ciência também elogiou a precisão dos protocolos de segurança envolvidos na operação, o que demonstrou a capacidade do CLA para posicionar o Brasil em um setor atualmente dominado por Estados Unidos, Europa e China.
Detalhes do acidente e as implicações
A explosão foi identificada como uma “anomaly” cerca de 30 segundos após o lançamento, levando à decisão de derrubar o veículo seguindo protocolos de segurança. Em um comunicado, o CEO da Innospace, Soo-jong, lamentou o ocorrido e se comprometeu a realizar uma análise detalhada das causas do acidente.
O HANBIT-Nano foi projetado para levar cargas de até 90 quilos e transportava cinco satélites e três experimentos desenvolvidos por pesquisadores brasileiros e indianos. Entre os satélites estavam o Jussara-K, da Universidade Federal do Maranhão, e dois satélites do SpaceLab da Universidade Federal de Santa Catarina, que iriam validar novas tecnologias em órbita.
As ações da Innospace caíram 29% na bolsa sul-coreana Kosdaq após a explosão. Antes do lançamento, a empresa havia atingido uma alta de 65%, destacando a drasticidade do impacto econômico do acidente.
Expectativas para o futuro e novos lançamentos
Autoridades brasileiras estão otimistas com a parceria com a Innospace, que deverá resultar em mais lançamentos no futuro. O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da Força Aérea Brasileira já reservou períodos para cinco novos lançamentos em 2026, demonstrando que a exploração espacial comercial é uma prioridade para o Brasil nos próximos anos.