Agravamento da Crise Militar na Ucrânia com Novo Ministro
A situação militar da Ucrânia se tornou ainda mais preocupante com a nova declaração do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, que revelou que quase 2 milhões de ucranianos estão evitando o recrutamento militar. Além disso, aproximadamente 200 mil soldados estão considerados ausentes sem autorização (AWOL), o que indica uma crise de moral e fornecimento de tropas nas linhas de frente.
Fedorov, que anteriormente estava à frente do Ministério da Transformação Digital, fez essa declaração durante sua apresentação no parlamento ucraniano, que marcou oficialmente sua nova posição como ministro da Defesa. Ele destacou que os dados fornecidos são uma rara exposição dos desafios enfrentados pelo país em termos de escassez de soldados durante a guerra.
Com um número alarmante de 2 milhões de ucranianos 'procurados' por evadir convocatórias, a situação se agrava ainda mais pelo fato de que 200 mil soldados deixaram seus postos sem a devida permissão. Fedorov se comprometeu a implementar uma ampla reforma, prometendo auditar o exército ucraniano e sanar problemas sistêmicos que "se acumularam ao longo dos anos" em relação a treinamento e comando. “Não podemos lutar com novas tecnologias sob uma estrutura organizacional antiga”, enfatizou o ministro.
De acordo com a legislação vigente durante a lei marcial na Ucrânia, a AWOL é definida como ausência por mais de três dias sem autorização, com pena de prisão que varia entre cinco a dez anos. O ato de deserção, que ocorre quando um soldado evita intencionalmente o serviço militar, pode resultar em penas ainda mais severas de até 12 anos. Soldiers podem ser considerados AWOL se forem autorizados a se ausentar para um descanso ou licença, mas não retornam conforme ordenado. Em alguns casos, o problema se agrava com soldados fugindo simplesmente de suas posições.
Segundo a Procuradoria Geral da Ucrânia, foram abertos mais de 235 mil processos criminais ligados a crimes de AWOL desde o início do conflito até setembro de 2025. Uma comparação solta pode ser feita com relatos de cerca de 150 mil soldados americanos e britânicos que desertaram ou foram considerados AWOL durante a Segunda Guerra Mundial na totalidade do teatro europeu.
Outro ponto crítico destacado por Fedorov é a enorme quantidade de recrutas ausentes que a Ucrânia desesperadamente precisa. Diante da realidade de um exército russo muito maior e melhor equipado, a nação enfrenta grandes dificuldades para preencher as tropas nas linhas de frente. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, indicou que o país possui cerca de 880 mil militares em serviço ativo, embora outras estimativas possam divergir.
A ausência de novos reforços não impacta apenas a moral das tropas, mas também a eficácia operacional. Algumas unidades ucranianas relataram haver se mantido nas posições da linha de frente por anos sem descanso ou oportunidade de retorno às suas famílias. Em Pokrovsk, por exemplo, Zelenskyy mencionou que as tropas ucranianas estavam em desvantagem de 1 para 8 no outono do ano passado, quando a Rússia tentava controlar agressivamente o estratégico centro regional, por meio de repetidos ataques em solo.
Os homens ucranianos entre 25 e 60 anos estão aptos para serem convocados ao serviço ativo, enquanto aqueles com apenas 18 anos já devem se registrar nas Forças Armadas. Desde o início do conflito, milhares de homens ucranianos fugiram para o exterior, muitos de forma ilegal, pois o país não permite que homens entre 23 e 60 anos deixem suas fronteiras.
Com um foco claro sobre a reestruturação do exército, Fedorov afirmou que um dos objetivos de sua auditoria será avaliar como a Ucrânia pode utilizar mais eficientemente as tropas que já possui. Uma das prioridades é garantir o efetivo mínimo em todas as brigadas de drones da Ucrânia, que, segundo ele, atualmente carecem consideravelmente de reforços. "Hoje, as 50 melhores entre 400 unidades de drones representam 70% do dano ao inimigo", afirmou ele. "Imagine o potencial das forças de defesa se ajudarmos as 350 restantes a crescerem."
O novo ministro da Defesa, que tem 35 anos, também mencionou que a Ucrânia está começando o ano com consideravelmente menos recursos. Para 2026, o orçamento do país é de aproximadamente 300 bilhões de grivnas ucranianas, ou cerca de 7 bilhões de dólares, o que é inferior ao orçamento para 2025.