Aumento significativo de estrangeiros no mercado de trabalho
O Brasil assistiu a um crescimento expressivo no número de trabalhadores estrangeiros em 2025, com um total de 205.000 novos afiliados, elevando o total para 3,08 milhões. Este é o quinto ano consecutivo em que se observa um crescimento neste registro, com uma média de cerca de 200.000 novas adesões anualmente.
Dentre esses novos integrantes, a comunidade venezuelana se destaca, somando 40.600 novos trabalhadores em 2025. Essa cifra é significativa, especialmente considerando que, nos anos anteriores, a comunidade colombiana dominava as novas adesões, contabilizando 28.900 novos afiliados.
Além da Venezuela e da Colômbia, o Peru também aparece entre os países que mais contribuíram para o aumento do emprego em solo brasileiro, com 13.226 novas contratações. Esse conjunto de dados reflete um momento marcante, pois atualmente mais de um milhão de latino-americanos estão afiliados à segurança social brasileira, um número que continua a crescer, refletindo a migração em busca de melhores condições de vida.
Em relação ao perfil dos trabalhadores venezuelanos, cerca de 24% deles estão empregados no setor de serviços, especialmente em bares e restaurantes, acompanhados de argentinos (23%), colombianos (21%) e peruanos (17%). Dentre os grupos latinos mais expressivos, apenas os equatorianos têm uma participação significativa em outras áreas, como a construção, onde 17% estão empregados.
A presença total de venezuelanos na segurança social no Brasil atinge 216.000, consolidando-se como a quarta maior comunidade de trabalhadores estrangeiros no país. Em primeiro lugar está a comunidade marroquina, com 373.000, seguida pelos romenos com 337.000, e colombianos com 250.000. Os italianos ocupam a quinta posição com 205.000 trabalhadores. Outras comunidades, como a chinesa e a ucraniana, também estão presentes, mas com números relativamente menores.
De dezembro de 2024 a dezembro de 2025, a segurança social brasileira somou 204.700 novos afiliados estrangeiros, em um ano em que o mercado de trabalho brasileiro também cresceu substancialmente, com a adição de meio milhão de novos empregos. Aproximadamente 40% das novas adesões são atribuídas ao aumento do número de trabalhadores estrangeiros, evidenciando assim a relevância deste setor para a economia do país.
O crescimento constante de afiliados estrangeiros é um sinal do dinamismo do mercado de trabalho no Brasil e da necessidade de mão de obra, um fenômeno que reflete não só a recuperação da economia após crises passadas, mas também a busca de trabalhadores por novas oportunidades.
De 2019 até agora, contabiliza-se um aumento de 960.500 novos afiliados, totalizando 1,46 milhão desde 2015. Esse cenário traz à tona um aspecto importante: apesar do crescimento absoluto, a taxa de aumento percentual dos estrangeiros está diminuindo, passando de 9,2% em 2021 para 7,1% em 2025.
O fenômeno migratório está profundamente ligado às crises políticas e econômicas que afetam o continente, especialmente no que diz respeito à comunidade latino-americana, que é a que mais cresce neste contexto. A construção de redes sociais e familiares na diáspora contribui ainda mais para a fixação de argentinos, colombianos, peruanos e venezuelanos no Brasil.
O aumento da comunidade de trabalhadores estrangeiros representa não apenas uma oportunidade de revitalização, mas também um desafio para garantir a integração e o respeito aos direitos trabalhistas. Como enfatizado pela ministra da Segurança Social, Elma Saiz, a contribuição de trabalhadores estrangeiros é estruturante e crucial para a sustentabilidade do sistema de pensões e para a prosperidade do país.