Dinamarca propõe reforço militar em Groenlândia enquanto Trump provoca tensão
Os ministros de Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia, Lars Lokke Rasmussen e Vivian Motzfeldt, se encontraram recentemente para discutir a segurança da Groenlândia, um território autônomo. Apesar das tentativas, não conseguiram dissuadir Donald Trump de sua intenção de anexar a ilha ártica, uma demanda que surgiu após uma reunião na Casa Branca na semana passada. Embora as conversas tenham sido consideradas construtivas, o cenário geopolítico continua a se complicar.
A três dias do encontro, o presidente americano surpreendeu com a confirmação de tarifas de até 25% para os oito países da OTAN que participam de exercícios militares na Groenlândia, um movimento que abalou as bases da aliança. A administração Trump, mantendo sua postura radical sob o lema “Estados Unidos em primeiro lugar”, tem minado o sistema de ordem internacional criado após a Segunda Guerra Mundial, que havia beneficiado os EUA por décadas.
A política externa de interesses transacionais tem se intensificado, onde Washington tem colocado preços em parcerias, conforme mostrou uma recente declaração sobre os assentos no Conselho de Paz de Gaza, que custariam um bilhão de dólares cada. O presidente Trump também recebeu presentes valiosos de líderes mundiais, como um avião Boeing de 400 milhões de dólares do Catar e um lingote de ouro da Suíça, evidenciando uma prática de tributação não oficial em troca de favores. Segundo Rebecca Lissner, do Council for Foreign Relations, estamos diante de uma superpotência que desmantela o próprio sistema que a fez influente.
As mudanças na política externa dos EUA nos últimos anos foram drásticas. A agência de cooperação para o desenvolvimento, USAID, foi praticamente extinta e o Departamento de Estado reestruturado. Enquanto Trump se apresenta como um pacificador que encerrou conflitos, operações militares foram lançadas em várias nações, incluindo Irã, Venezuela, Iémen e Somália. A pressão sobre aliados como México e Colômbia aumentou, enquanto o governo americano adota uma abordagem mais complacente em relação a seus rivais, como Rússia e China.
A América Latina se tornou o foco da estratégia externa de Trump, almejando reduzir a migração e a influência da China na região. O uso de incentivos econômicos e ameaças econômicas, como tarifas, também é uma constante. O governo dos EUA intensificou sua pressão sobre a Venezuela, prometendo reiterar os ataques se seu governo não cumprir as exigências vindas de Washington.
O recente enfoque interveniente de Trump em relação à Venezuela exemplifica essa doutrina, com uma operação militar que fez uso de uma quantidade significativa de poderio naval americano. A justificação é combater o narcotráfico, mas especialistas alertam sobre a falta de legalidade em tais operações que resultaram em mortes de civis.
A política externa de Trump se destaca pela combinação de ares de colaboração com países que se alinham com seus interesses e severidade com aqueles que desafiam a hegemonia dos EUA. O apoio a novos líderes de direita na América Latina reflete uma inclinação a intervir nas políticas internas, como demonstrado pelo apoio ao presidente argentino Javier Milei e ao salvadorenho Nayib Bukele.
No entanto, alguns analistas questionam se Trump manterá esse nível robusto de intervenção durante o restante de seu mandato. O estilo decisivo do presidente pode render resultados efêmeros, como visto em conflitos não resolvidos ao redor do mundo. As constantes distrações da agenda de segurança nacional pelos conflitos internacionais têm moldado a narrativa pública em um cenário político conturbado.
"Estamos testemunhando um domínio da agenda em uma escala não vista desde a Grande Depressão. Conceitos que parecíamos inimagináveis começaram a emergir, como a conquista da Groenlândia e uma postura pró-Rússia por parte dos EUA", reflete o analista republicano Frank Luntz.
Enquanto o cenário internacional evolui, as estratégias de Trump continuam a provocar reações inesperadas e complexas, com repercussões que podem afetar não apenas as relações exteriores dos Estados Unidos, mas também o futuro das alianças globais.