Incidente em Cuba expõe tensões no exílio cubano
No dia 25 de fevereiro, um grupo de dez cubanos tentou realizar uma operação clandestina de embarque de uma lancha a partir de Cayo Maratón com destino a Villa Clara, no centro de Cuba. O que era para ser uma missão de encontro e apoio a outros membros do grupo Autodefensas del Pueblo (ADP) resultou em um trágico confronto com a Guarda Costeira cubana, deixando quatro mortos.
As autoridades cubanas rotularam o evento como uma “infiltração terrorista”, alegando que o ataque foi planejado por exilados cubanos em Miami. No entanto, os líderes das ADP defendem que seus membros eram “heróis” realizando uma “missão patriótica” pela liberdade do país. O fundador das ADP, Michel Naranjo Riverón, declarou: "Este é o único grupo disposto a derrubar o regime cubano".
A estrutura das ADP
A organização, de nome também conhecido como Autodefensas del Pueblo (ADP), enfatiza a resistência ativa contra o governo de La Habana. Naranjo, ex-carpinteiro que desde 2021 reside na Flórida após pedir asilo político, afirma que a ADP é a única organização que trabalha efetivamente para a libertação da sua terra natal, fazendo paralelos com ações do passado, como a invasão da Baía dos Porcos em 1961.
Contrariando a maioria dos grupos de exilados que se apoiam em ações pacíficas, as ADP adotam uma postura de resistência armada, embora atualmente esse tipo de ação seja considerado uma estratégia marginal. "As últimas ações recentes incluem grafites e ataques menores, que são amplamente divulgados nas redes sociais. O objetivo é incutir um espírito de resistência dentro da ilha", explica Naranjo.
O confronto e suas repercussões
No embate, os membros do grupo abriram fogo e um comandante da Guarda Costeira foi ferido. A resposta militar resultou na morte de quatro homens e vários feridos, incluindo Amijail Sánchez González, um dos organizadores que conseguiu sobreviver ao ataque. As autoridades cubanas identificaram as vítimas e mostraram as armas confiscadas, que incluem rifles automáticos, pistolas e munições.
"Isso, embora pareça uma loucura, não é uma loucura. É um pensamento e um ideal", afirmou Naranjo sobre a missão de seus compatriotas.
Histórico de resistência armada
Desde a Revolução de 1959, várias iniciativas de exilados cubanos tentaram desestabilizar o regime cubano, com suporte, em tempos passados, da CIA. Grupos como Alpha 66 e Omega 7 notabilizaram-se por ataques no território americano e na própria Cuba. Contudo, com o passar dos anos, os movimentos no exílio mudaram de foco, percebendo que a luta cívica poderia ser uma forma mais eficaz de promover mudanças.