O assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes em Praia Grande
Ruy Ferraz Fontes, ex-secretário de Administração de Praia Grande e delegado aposentado, foi brutalmente assassinado a tiros na cidade do litoral de São Paulo. Com um histórico de enfrentamentos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o ex-delegado estava sob ameaça de morte desde 2005. Essa informação foi corroborada pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico, que destacou a motivação de vingança como um dos principais fatores por trás do crime.
Segundo as investigações, a infeliz recente morte de Ruy Ferraz na Praia Grande está ligada a sua atuação anterior na polícia, onde efetuou prisões significativas de integrantes do PCC. A confirmação dessa conexão também foi dada por Osvaldo Nico, que levantou a hipótese de que o crime foi orquestrado por elementos que buscavam retaliação por ações anteriores do delegado.
Os suspeitos e a operação policial
Três homens foram presos nas últimas semanas como suspeitos de envolvimento no assassinato de Ruy Ferraz. Entre eles estão Fernando Ribeiro Teixeira, conhecido como Azul, Manuel Ribeiro Teixeira, apelidado de Manuelzinho, e Márcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote. Todos possuem um extenso histórico criminal e foram voltados para crimes de sequestros e roubos desde os anos 90.
A análise do caso indicado pela Polícia Civil relata que apenas quatro meses separam o assassinato do ex-delegado das prisões dos três suspeitos, todos anteriormente capturados em operações que Ruy Ferraz liderou. As imagens do crime, que foram amplamente divulgadas, mostram a crueldade do homicídio, o que levou a uma intensificação nas investigações.
O planejamento do crime
A polícia identificou que o ponto inicial da investigação foi um carro carbonizado, que foi usado na fuga dos criminosos. Imagens e impressões digitais de um dos acusados, Felipe Avelino da Silva, conhecido como Masquerano, ajudaram os investigadores a rastrear o veículo. A partir deste ponto, foi revelado que as conexões entre os envolvidos foram organizadas em encontros em quiosques na praia de Mongaguá.
“Tem que bater no velho, aí o velho que direciona. Tudo tem que passar pelo velho primeiro”, diz uma mensagem recuperada dos celulares apreendidos, sugerindo a centralidade de Márcio Serapião no planejamento do homicídio.
O desenrolar das investigações indica que Humberto Alberto Gomes, um dos executores do plano, pode ter fugido para o estado do Paraná, onde foi morto em um confronto com a polícia. A polícia ainda busca outros possíveis envolvidos no crime.
A conexão com o PCC e estratégias de vigilância
De acordo com as informações colhidas, a facção criminosa PCC tem uma estrutura complexa que inclui a Sintonia Restrita, um núcleo responsável por planejar assassinatos de autoridades. A polícia encontrou documentos do Ministério Público que indicavam ordens de retaliação contra Ruy Ferraz.
A defesa dos suspeitos, por sua vez, está aguardando o acesso à investigação formal, enquanto as autoridades prosseguem com as buscas para localizar outros possíveis envolvidos, como Chacal, que também é ligado ao PCC e considerado uma das peças-chave no planejamento do assassinato.
Conclusão
O caso de Ruy Ferraz é um exemplo emblemático da violência ligada ao crime organizado no Brasil, evidenciando como ex-agentes da lei podem se tornar alvo de vingança por parte de facções criminosas. A investigação continua, na esperança de que mais detalhes possam ser descobertos sobre os ramificações deste crime hediondo.