Revolta no Irã: A luta por liberdade sob repressão violenta
Com medo do governo e da repressão, os iranianos que deixaram o país relatam os horrores vividos durante as recentes manifestações e a sensação de abandono pela comunidade internacional. Na quinta-feira, um grupo de pessoas cruzava da fronteira do Irã para Kapiköy, na Turquia.
Sentimentos de medo e abandono dominam os iranianos após uma série de protestos massivos que ocorreram nas últimas semanas, sendo brutalmente reprimidos pelo regime. Muitos temem as represálias contra aqueles que denunciam a situação. A desilusão com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prometeu ajuda, mas agora parece distante, ressoa entre os que lutam por liberdade em seu país.
No saguão do hotel, uma mulher com um traje negro e um véu leve está cercada por homens em ternos escuros. Ela é uma alta funcionária do Consulado Geral do Irã na Turquia. Muitos iranianos não podem retornar ao seu país, fugindo da repressão que sufoca a dissidência. A sensação de vigilância é constante; eles trocam informações em sussurros, temendo serem ouvidos por aqueles que poderiam sofrer as consequências.
“Nas esquinas das principais avenidas de Teerã, há forças de segurança fortemente armadas, e qualquer tipo de reunião pública é severamente reprimido”, diz Reza, um homem de meia-idade que deixou o Irã há pouco tempo. O silenciamento da internet e da comunicação também contribui para o clima de medo. “Cortaram a internet para agir sem serem vistos”, explica Zahra, uma iraniana que esteve em Teerã durante os protestos.
Reza presenciou a brutalidade da polícia em ação, usando armas de fogo contra manifestantes. Assim como Alí, um jovem de 20 anos que participou das protestas em Varamín, ele está disposto a arriscar sua vida por uma causa maior. “Se eu morrer, será lutando pelo meu país”, afirma ele, enquanto a organização Iran Human Rights (IHR) documenta milhares de mortes durante as manifestações.
“Esta vez, a repressão é muito mais severa do que vimos antes”, afirma Zeynab, uma iraniana que se manteve em contato com seu país através de redes de comunicação clandestinas. Ela teme que ações externas contra o regime apenas reforcem o poder dos governantes. “Não queremos ataques, somos uma nação orgulhosa”, destaca.
O dilema enfrentado pelos iranianos é claro: o regime é sustentado por uma parte da população armada, enquanto a maioria deseja uma mudança. “70% dos iranianos se opõem ao regime, mas os que apoiam têm o controle das armas”, explica Alí. Sua frustração se reflete na solicitação de apoio internacional para derrubar o Líder Supremo, Alí Khamenei.
As divisões dentro da sociedade iraniana são complexas. Reza expressa sua desapontamento com as bandeiras de mudança que não trazem diálogo democrático: “Buscamos liberdade, não um banho de sangue”. A falta de um líder claro para unificar as vozes contra o regime também complica os esforços para alterar o cenário político. Reza Pahlevi II, filho do último xá, é uma figura controversa que atrai apoio entre alguns, mas não é aceito por todos.
Os enfrentamentos e a ira contra a opressão continuam, mas muitos entrevistados viverão seu destino com apreensão. Eles retornam a um Irã dividido, esperando que novas revoltas possam finalmente derrubar o regime que os oprime.