Denúncias sobre condições de atendimento no Hospital Santa Marcelina
Familiares de pacientes internados no Hospital Santa Marcelina, localizado na Zona Leste de São Paulo, têm se manifestado sobre a precariedade do atendimento oferecido na unidade. Os relatos incluem superlotação, falta de profissionais e o cancelamento de cirurgias devido à ausência de anestesistas.
A situação vem ganhando destaque nas redes sociais e na mídia, onde muitos expressaram sua indignação. Os problemas enfrentados por pacientes graves, obrigados a permanecer em áreas improvisadas, sem as devidas condições de assistência, foram alarmantes.
Casos como o de Maria Clara, uma menina de quase cinco meses, são narrativas que ecoam o sentimento de impotência das famílias. Sua mãe, Larissa, permanece internada desde o parto, e a avó cuida da bebê. Segundo a família, apesar de uma gestação saudável, Larissa enfrentou sérias complicações após o parto, incluindo a descoberta de uma perfuração intestinal, que eles acreditam ter sido causadas durante a cesariana.
Após 16 dias na UTI, Larissa foi transferida para uma ala destinada a pacientes que esperam por leitos, o que tem gerado estresse emocional tanto para ela quanto para sua família, que não consegue ter contato com a recém-nascida.
A expectativa da famíliaera celebrar a chegada da bebê, mas a realidade é muito diferente.
"Ela não tem contato com a bebê e nem a bebê com ela, a bebê é apegada em mim e na minha mãe, nem conhece a Larissa direito", lamenta Amanda Fidelis, mãe de Larissa.
Uma situação semelhante foi vivenciada por Kátia Santos, que relatou que sua filha com problemas renais e em tratamento oncológico ficou 13 horas em uma maca do SAMU no corredor do pronto-socorro.
"Nenhuma cama, nem um colchão digno pra deitar não tem", disse Kátia, que expressou sua indignação com a situação do atendimento.
A história também de Tânia Leal, que presenciou a angustiante espera do filho de 19 anos por uma cirurgia, que acabou cancelada pela falta de anestesistas.
"O quadro de anestesistas foi reduzido e por conta disso, tanto a cirurgia do Gabriel, como de mais três ou quatro pacientes, tão urgente quanto foram remanejadas pra amanhã", explicou.
O Hospital Santa Marcelina de Itaquera foi fundado em 1961 e é uma instituição filantrópica e privada administrada pela Congregação das Irmãs de Santa Marcelina. Desde 1998, a unidade mantém um contrato com o governo do estado para atendimento público, recebendo quase 90% de sua clientela por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Mensalmente, a unidade recebe R$ 13 milhões para atender esse público, mas, conforme as denúncias, essa verba não tem sido suficiente para atender à demanda.
. O clamor por melhores condições de atendimento e respeito à dignidade humana nas instituições de saúde se torna cada vez mais urgente, especialmente em um momento de crise na saúde pública.