Inteligência Artificial e a Realidade dos Trabalhadores de Conhecimento
No cenário tecnológico atual, a disparidade no uso de inteligência artificial (IA) é cada vez mais evidente, especialmente entre os insiders de Silicon Valley e aqueles que trabalham fora desse ambiente. Em um post recente, Kevin Roose, colunista do The New York Times e co-apresentador do podcast Hard Fork, expressou preocupação sobre essa lacuna, observando que enquanto muitos em sua região estão entregando aspectos de suas vidas a sistemas de IA, aqueles fora desse círculo sofrem com a falta de acesso e entendimento sobre essas tecnologias.
Roose mencionou uma "lacuna" crescente, onde insiders da tecnologia implementam agentes múltiplos para tomar decisões do dia a dia, consultando chatbots como se fossem conselheiros pessoais. Esse fenômeno, que ele descreve como uma forma de "wireheading", sugere uma dependência profunda e quase religiosa da tecnologia para a resolução de problemas cotidianos.
Os episódios recentes do podcast Hard Fork destacam uma nova tendência chamada vibecoding, que utiliza ferramentas de IA para engenharia de software de maneira expedita. Antes, ferramentas como o GitHub Copilot e o ChatGPT causaram um alvoroço entre engenheiros de software, e o uso dessas ferramentas tem se intensificado desde 2021. Por exemplo, Dario Amodei, CEO da empresa-mãe do Claude, publicou recentemente um post de blog advertem sobre os riscos e desafios que a humanidade enfrentará com o crescimento exponencial do poder da IA.
Roose, embora não sendo engenheiro de software tradicional, criou um aplicativo chamado Stash, descrito como uma alternativa ao Pocket, que permite atribuir de forma personalizada uma interface para o armazenamento de conteúdos. Em sua descrição, Roose afirmou ter desenvolvido o aplicativo em cerca de duas horas, refletindo uma nova onda de desenvolvedores que utilizam ferramentas de IA para realizar tarefas que antes necessitavam de conhecimento técnico profundo.
No podcast, os ouvintes compartilham suas próprias experiências com vibecoding, ilustrando como pessoas sem experiência em programação estão utilizando IA para criar ferramentas que atendem a necessidades específicas. Porém, Roose questiona a utilidade disso, argumentando que muitos desses projetos acabam se tornando apenas formas de ocupação pessoal.
Como muitos indivíduos, Roose demonstra um certo desinteresse por hacks de produtividade e pela obsessão com a otimização que a discussão de IA pode trazer. Para ele, que já refletiu sobre ideias criativas que não dependem unicamente da programação, a utilização da IA para tal fim parece limitada. Ele menciona seus próprios projetos de Halloween, ressaltando que a maior parte do trabalho demanda mais do que apenas programação e que a tecnologia por si só não é suficiente.