O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo anunciou mudanças significativas na prova prática para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), uma iniciativa que também está sendo implementada em outros estados brasileiros. As principais alterações incluem o fim do teste de baliza e a permissão para o uso de carros com câmbio automático durante a avaliação.
Essas modificações têm gerado controvérsias entre motoristas e especialistas em segurança no trânsito. Enquanto alguns comemoram as novas regras, outros expressam preocupações sobre possíveis impactos na segurança viária.
Um internauta comentou nas redes sociais: "Esse lance de baliza é balela, carro automático é o futuro das ruas!" No entanto, outro motorista alertou: "Como se carro automático estacionasse sozinho. Se a pessoa não souber manobrar, pode ser um terror." Diante dessas opiniões divergentes, a equipe do g1 entrevistou especialistas para entender melhor as implicações dessas novas diretrizes.
Enfraquecimento da formação de condutores
Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, afirmou que, embora as mudanças não representem, por si só, um risco imediato à segurança no trânsito, elas devem ser analisadas com cautela. "A liberação do uso de carros automáticos e a retirada da obrigatoriedade da baliza isoladamente não geram prejuízos à segurança viária. Porém, o contexto em que essas decisões são tomadas pode afetar a formação e a responsabilidade dos motoristas," destacou Guimarães.
Ele enfatizou que a autonomia dada aos motoristas precisa ser acompanhada por responsabilidade, ressaltando a importância de uma formação rigorosa e da responsabilização no trânsito. "Se estamos dando mais liberdade aos motoristas, é crucial que isso venha com uma supervisão adequada e a consequente responsabilização," completou.
Controle emocional e pressão do trânsito
A especialista Juliana de Barros Guimarães, da Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego, alertou que a discussão sobre o fim da baliza vai além das manobras físicas. "O teste prático deve expor o candidato a situações que simulem as pressões do trânsito real. A ausência de situações de pressão emocional na prova pode comprometer a preparação dos futuros motoristas," afirmou.
Juliana destacou que lidar com pressão e tempo é essencial para quem dirige. "Dar aos candidatos a experiência emocional necessária para reagir em situações estressantes é fundamental," acrescentou. Além disso, ela sugeriu que motoristas que utilizam carros automáticos deveriam ter uma distinção clara em suas habilitações, evitando que dirijam veículos manuais para os quais não receberam treinamento adequado.
População em risco
Em uma entrevista à TV Globo, Mateus Martins, vice-presidente da Associação dos Centros de Formação de Condutores do Estado de São Paulo, expressou a visão de que essas novas medidas podem colocar a população em risco. Martins afirmou: "Flexibilizar o exame é trazer insegurança ao cidadão. A baliza é um passo básico que todos os motoristas devem dominar. Estacionar corretamente e ter controle do veículo em baixa velocidade são fundamentais para a segurança no trânsito."
A decisão do Detran de eliminar o teste de baliza é baseada na resolução 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em dezembro de 2025. Além de São Paulo, estados como Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará também estão implementando mudanças semelhantes. Esta flexibilização tem gerado um debate acalorado sobre a forma como os futuros motoristas estão sendo preparados para enfrentar os desafios reais nas estradas.
O Detran também afirmou que, mesmo sem o teste de baliza, os candidatos ainda deverão realizar manobras de estacionamento durante a prova, garantindo que a habilidade essencial de controle do veículo não seja totalmente negligenciada.
Em resumo, as mudanças na prova prática da CNH em São Paulo refletem uma tendência crescente em todo o Brasil de repensar a formação e a avaliação de condutores, levantando questões sobre a segurança viária e a responsabilidade dos motoristas.