A Crise de Violência em Sinaloa: Militares e Protestos Escalam
A crise de violência em Sinaloa se aprofunda com o recente sequestro em massa de 10 mineradores, evidenciando a intensa situação de insegurança que afeta a região. Nos últimos dias, o ataque a tiros contra dois deputados e o sequestro dos trabalhadores são apenas os mais recentes episódios de uma realidade marcada por conflitos entre facções do crime organizado.
Nos últimos dois anos, Sinaloa tem enfrentado uma escalada de violência, exacerbada por uma guerra interna que se intensificou após a suposta traição do notório líder do cartel, Mayo Zambada. A gestão da governadora Claudia Sheinbaum considerou a situação um dos principais desafios de sua administração e, após o recente surto de violência, anunciou o envio de 1.600 novos militares ao estado. Essa ação inclui um destacamento de 90 integrantes das Forças Especiais, cuja atuação se tornou cada vez mais controversa, especialmente após recentes incidentes envolvendo civis.
Um trágico evento no último fim de semana provocou protestos em Culiacán, onde um jovem advogado foi morto por disparos durante uma operação militar. O caso gerou indignação, recordando outros eventos trágicos, como o assassinato de duas crianças em um incidente similar, levantando questões sobre a eficácia e a segurança das operações militares na região.
Desde o início do deslocamento militar, mais de 400 pessoas foram detidas. Contudo, apesar dessas ações, os dados de violência continuam a subir, com um aumento significativo nos assassinatos, desaparecimentos e casos de feminicídio. De acordo com Carlos Flores, especialista em segurança, a situação atual é refletida em uma "descomposição geral do contexto de segurança em Sinaloa", o que torna o futuro ainda mais incerto.
Flores também chamou a atenção para o impacto político da violência, sugerindo que os ataques recentes contra os deputados podem estar ligados à preparação para as próximas eleições, o que poderia intensificar a violência política na região. Um dos deputados atacados, Sergio Torres, é uma figura proeminente na política local e isso agrava as preocupações sobre a segurança em torno do processo eleitoral.
A estratégia de combate à violência, liderada pelo secretário de Segurança, Omar García Harfuch, focou em ações duras contra os líderes mafiosos, especialmente em resposta à pressão dos EUA em relação ao tráfico de fentanil proveniente de Sinaloa. No entanto, o estado encerrou o ano passado com as piores estatísticas de violência de sua história, refletindo a intensidade da luta pelo controle da região entre facções rivais do crime. A guerra entre Los Chapitos e as forças remanescentes do antigo cartel de Sinaloa tem gerado um contexto ainda mais desafiador.
Recentemente, Pedro Inzunza Noriega, conhecido como “El Senhor de la Silla”, foi preso. Este veterano traficante é acusado de liderar uma das maiores redes de produção de fentanil do mundo. A detenção evidencia os esforços das autoridades para atingir os cabeças do crime, porém o ciclo de violência ainda persiste, muitas vezes, devido à facilidade com que esses líderes podem ser substituídos.
Na expectativa de que a crise de segurança em Sinaloa continue a se agravar, a governadora Sheinbaum enfrenta dificuldades em distanciar-se de seu aliado, o governador Rubén Rocha, também envolvido em acusações de conivência com o crime organizado. Há um crescente temor de que as revelações sobre vínculos entre autoridades e criminosos coloquem ainda mais em risco a estabilidade na região e a segurança pública.
Este complexificado cenário de violência em Sinaloa não só afeta a política local, mas também levanta um alerta sobre a necessidade de reformas profundas nas abordagens de segurança pública e nas políticas governamentais para que a paz e a segurança sejam restauradas na região.