Laura Fernández busca harmonia em discurso pós-eleições na Costa Rica
A presidente eleita da Costa Rica, Laura Fernández, comprometeu-se a defender os resultados democráticos do país durante seu primeiro discurso após as eleições, que ocorreram no último domingo. A politóloga de 39 anos, que obteve 48% dos votos, fez um apelo ao diálogo e à colaboração com as forças políticas opositoras, destacando a importância de um governo de concertação nacional.
No evento de imprensa realizado em San José, nesta segunda-feira, Fernández apresentou uma postura conciliadora após a vitória. Ela ressaltou que tem a intenção de respeitar as liberdades civis e o sistema democrático, numa resposta às preocupações de que seu governo poderia seguir uma linha autoritária, dada a maioria absoluta conquistada nas eleições e sua proposta de reformas significativas à Constituição.
"Têm em mim uma líder que exercerá um governo de concertação. Espero que possamos baixar as bandeiras de qualquer partido político e focar nas necessidades do nosso país", declarou Fernández, em contrapartida ao estilo mais agressivo de seu antecessor, Rodrigo Chaves.
Em seu discurso, ela também se comprometeu a moderar a política em relação a uma possível dura repressão ao crime organizado, enfatizando que, embora concorde com ações firmes contra atividades criminosas, isso não deve comprometer as liberdades civis ou os direitos de propriedade dos cidadãos.
"Estou de acordo com uma luta frente a atividades ilícitas, desde que não se prejudique os cidadãos costarriquenhos ou se coloque em risco a liberdade. Esse é um ponto não negociável para mim", afirmou, fazendo referência a nações como El Salvador, onde políticas rigorosas têm sido implementadas no combate às gangues.
Laura Fernández também revelou planos para um desenvolvimento social e econômico que inclui dialogar com todos os setores políticos e consolidar uma república baseada no diálogo e na tolerância."Quero um país que permita o crescimento em liberdade. Sou demócrata republicana, acredito na liberdade de empreender, pensar e inovar", destacou ela, durante o discurso.
Apesar de suas promessas de modernizar a estrutura política e administrativa do país, a nova presidente enfrentará desafios, uma vez que sua coalizão não conseguiu uma maioria qualificada na Assembleia Legislativa, o que exigirá negociações com diferentes bancadas legislativas.
Em relação às reformas que pretende implementar, ela frisou que o diálogo será essencial, ressaltando a necessidade de construir um consenso com os parlamentares, respeitando os resultados das eleições.