Crise no STF: Moraes e Toffoli intensificam ceticismo
As investigações envolvendo o Banco Master estão causando um impacto significativo na imagem do Supremo Tribunal Federal (STF). As reações de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que defendem a legalidade de suas atividades, não têm aliviado a crescente desconfiança do público. O colunista Mauro Paulino aponta para um problema simbólico importante: a necessidade de a Corte parecer independente e neutra, e como a crise atual compromete essa percepção.
O avanço das investigações sobre o Banco Master vai além do cenário político, afetando diretamente a reputação do STF. Este tema foi discutido no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, onde Paulino analisou o impacto político e institucional das revelações sobre os ministros da Corte.
Em meio ao clima de forte desconfiança por parte da sociedade em relação às instituições, as explicações públicas feitas pelos integrantes do STF parecem ter um efeito inverso, acentuando o desgaste da imagem da Corte. A postura dos ministros tem gerado questionamentos: seria a reação deles um remédio ou um veneno para a situação?
Nas suas manifestações públicas, Moraes respondeu às críticas, ressaltando que a magistratura é uma das carreiras mais rigorosas do serviço público, e que há uma demonização de atividades lícitas, como palestras e participações acionárias indiretas. Toffoli, por sua vez, seguiu uma linha similar, defendendo que magistrados podem ser acionistas, herdeiros ou proprietários rurais, desde que não assumam a gestão direta. De forma irônica, ele chegou a questionar se os ministros deveriam doar seus bens a instituições de caridade como forma de evitar críticas.
Pelo entendimento de Mauro Paulino, o problema central é simbólico e não jurídico. Ele questiona se o STF pode se dar ao luxo de parecer indiferente. Segundo Paulino, ser um ministro da Suprema Corte exige cuidados redobrados para transmitir uma imagem de independência e neutralidade. A máxima de que não basta ser honesto, mas é preciso parecer honesto, se torna ainda mais relevante no contexto da Corte.
As declarações públicas dos ministros, além de azedar o ambiente interno do tribunal, enfraquecem a tentativa do presidente do STF, Edson Fachin, de implementar um Código de Conduta ética - uma iniciativa que já enfrenta resistência nos bastidores. Qual é o custo institucional dessa crise?
A deterioração da imagem do STF ocorre em um momento em que há uma crescente rejeição das instituições políticas. Mauro Paulino observa que, embora a população não trace sempre os detalhes técnicos, ela é capaz de perceber quando algo está muito errado. Este tipo de escândalo reforça a sensação de que a política não funciona, uma percepção que se intensifica em anos eleitorais e prejudica a confiança na democracia.