Zelensky revela número de soldados ucranianos mortos pela Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, revelou pela primeira vez em mais de um ano o número de soldados mortos pela Rússia durante a guerra, que completará quatro anos no final deste mês. Em entrevista à emissora France 2 na quarta-feira, 4, ele afirmou que 55 mil militares, entre recrutas e profissionais, já perderam a vida em combate.
Ao longo do conflito, Kiev e Moscou publicaram regularmente estimativas das baixas do lado inimigo, mas relutaram em detalhar as suas próprias, já que as informações são extremamente sensíveis e afetam o moral no front. Recentemente, uma análise independente do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, estimou em 1,2 milhão o número de soldados russos mortos, enquanto a Ucrânia teria perdido 600 mil, um número que ultrapassa em mais de dez vezes o que foi admitido por Zelensky. O mesmo relatório apontou que o total combinado de soldados de ambos os países que foram mortos, feridos ou estão desaparecidos deve chegar a 2 milhões até o final de junho deste ano.
A última vez que Zelensky atualizou os dados foi em dezembro de 2022, quando estimou o número de mortos em 43 mil. Tanto naquela ocasião quanto agora, acredita-se que o valor seja subestimado. Como o próprio ucraniano ressaltou, um grande número de pessoas está desaparecida. Há seis meses, o Ministério do Interior da Ucrânia havia registrado mais de 70 mil sumiços entre soldados e civis, mas esses dados não foram detalhados. Frequentemente, as famílias se apegam à possibilidade de que os membros dessa estatística sejam prisioneiros de guerra, capturados e mantidos em algum lugar na Rússia. O acesso às prisões russas por organizações como a Cruz Vermelha é extremamente restrito.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem liderado esforços para encerrar a guerra que começou com a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 22 de fevereiro de 2022. Seu enviado especial, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, têm realizado conversas trilaterais com delegações dos países em conflito em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira. O objetivo é chegar a um acordo sobre os detalhes do acordo de paz proposto pelos Estados Unidos. A questão mais difícil gira em torno do território ucraniano. Como condição prévia para qualquer acordo, Moscou exige que Kiev retire suas tropas de toda a região de Donetsk, incluindo uma linha de cidades fortificadas consideradas uma das defesas mais robustas da Ucrânia. Por sua vez, o país de Zelensky defende que o conflito deve ser congelado ao longo das linhas de frente atuais e rejeita qualquer retirada unilateral de suas forças. Kiev também deseja o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, que está localizada em uma área ocupada pela Rússia.