Junts per Catalunya aprova moção contra regularização de migrantes
O partido catalão Junts per Catalunya intensifica suas manobras políticas para intervir no controle da imigração, conforme os municípios na Catalunha buscam afirmar suas posições sobre o tema.
No último dia 5 de fevereiro de 2026, em Figueres, o partido aprovou uma moção que critica a decisão do Governo de regularizar pessoas migrantes, caracterizando-a como "irresponsável e com graves consequências econômicas e sociais". Esta posição é parte de uma estratégia mais ampla em que os líderes locais do Junts tentam consolidar uma imagem de firmeza em questões sociais, especialmente com a iminência das eleições catalãs de 2024.
A regularização de migrantes se tornou um tema controverso. O prefeito de Figueres, Jordi Masquef, criticou a medida, referindo-se a ela como um “cheque em branco” que impacta aspectos fundamentais como a língua e a cultura. A moção defende que os fluxos migratórios devem ser "legais, ordenados e sustentáveis" e que devem estar vinculados às reais necessidades da Catalunya.
Ainda segundo a moção, é essencial criar um sistema claro para a integração real dessas pessoas, que deve ser pautada por direitos e deveres e que priorize a plena participação dos recém-chegados na vida cultural, cívica e econômica da região. O texto ressalta que cidades como Figueres já enfrentam dificuldades significativas na gestão de serviços básicos, como atendimento social, moradia, educação, saúde, convivência e segurança.
A conselheira de Igualdade da Generalitat, Eva Menor, comentou que os medos em relação ao processo de regularização derivam de preconceitos presentes na sociedade atual, num cenário onde o discurso de ódio tem suscitado receios. Em Girona, onde o Junts compõe o governo com a CUP, a tenente de prefeito Gemma Geis fez uma exigência de "dez anos de empadronamento" para acesso a 50 apartamentos de aluguel social destinados a jovens, reforçando a ideia de que "os recursos públicos são, antes de mais nada, para os cidadãos locais".
A ideia de usar o registro de moradores para restringir o acesso à moradia acessível já foi adotada por outros líderes do Junts, como os prefeitos de Sant Cugat del Vallès e Vic. Em setembro do ano passado, o Podemos — junto a PP e Vox — bloqueou no Congresso uma proposta de lei que visava delegar competências sobre imigração à Generalitat. Contudo, a questão ressurgiu recentemente, quando o Junts propôs modificar o preâmbulo da lei, que havia gerado resistência do Podemos. A secretária-geral da formação, Ione Belarra, chamou o texto de "racista" e acusou o secretário-geral do Junts, Jordi Turull, de disseminar "discursos de ódio contra migrantes".
Em meio a esse cenário, o Junts mantém que o texto original da lei era um "documento técnico" e que não está disposto a alterar o conteúdo do preâmbulo sem que haja um compromisso de respeito às diretrizes sociais e culturais da Catalunha.

