Crise Ferroviária na Espanha: Desafios e Reformas Urgentes
A Espanha enfrenta um período crítico em seu sistema ferroviário, enquanto esforços para reformar e melhorar a infraestrutura se intensificam. Os investimentos necessários para reverter o colapso do sistema estão trazendo ônus para os usuários, que enfrentam atrasos e inconvenientes. Especialistas estão clamando por um aumento nos gastos com manutenção e uma auditoria extensa da rede de trens.
Recentemente, os cidadãos se deparam com grandes dificuldades no deslocamento diário entre localidades como Madrid e Barcelona, devido a acidentes fatais que resultaram em 47 mortes e mais de 150 feridos. Esses incidentes marcaram um divisor de águas no transporte ferroviário do país. O Ministério de Transportes está revisando o modelo de manutenção das ferrovias, uma responsabilidade que recai em grande parte sobre construtoras privadas, e está tomando medidas para aumentar a segurança nas linhas.
Nos próximos anos, cerca de 500 trens precisam ser renovados e as obras nas linhas estão se acumulando. Entre os projetos, destaca-se a remodelação da linha de alta velocidade entre Madrid e Barcelona e a previsão de um investimento de 8 bilhões de euros para as cercanias catalãs até 2030. No entanto, essa renovação não é sem desafios: há previsão de restrições de tráfego e limitações na velocidade, o que inevitavelmente aumentará o estresse de operadores, gestores e dos milhões de passageiros.
O colapso ferroviário também afetou o transporte de cargas. A empresa ferroviária Railsider Mediterrâneo, por exemplo, ficou sobrecarregada com mais de 24.000 toneladas de aço que não puderam ser enviadas devido ao caos no transporte catalão. O fechamento do túnel de Rubí e os acidentes em Gelida dificultaram o trânsito ferroviário. A empresária Laura Jamás relatou que enviou os pedidos urgentes por transporte rodoviário devido ao bloqueio. O restabelecimento completo do tráfego ferroviário é esperado, mas de maneira gradual, ao longo dos próximos dias.
"A rede ferroviária não é uma tetera. Não se arruma em dois dias e quando se abandona, leva tempo para se recuperar". - Óscar Puente, Ministro de Transportes
O diagnóstico para o sistema ferroviário é preocupante: múltiplas ocorrências, passageiros insatisfeitos e a paralisia da rede de cargas catalã geraram protestos de usuários e maquinistas. O número de usuários de Rodalies caiu entre 25% e 30%, segundo dados da Renfe. "Estamos em um momento de crise evidente que vem após um período de decadência", afirma Carles García, presidente da Plataforma para a Promoção do Transporte Público.
Dentre as medidas adotadas pelo governo, destacam-se o fortalecimento da gestão de manutenção e a criação de uma divisão destinada ao monitoramento e manutenção preventiva das vias. A situação crítica acabou por afetar também a imagem do transporte ferroviário espanhol, que antes era admirada internacionalmente devido à sua rede de alta velocidade.
Nos últimos dois anos, o número de incidentes aumentou significativamente. A supressão de trens em horários estratégicos e a redução da velocidade são reflexos das falhas na infraestrutura, que se tornaram evidentes após os sinistros em Adamuz e as chuvas na Andaluzia. A idade média do parque de trens, com várias unidades datando da década de 1990, é uma preocupação crescente.
Os engenheiros defendem que as discussões sobre manutenção não devem ser reativas, mas sim proativas, começando desde o ciclo de vida dos componentes ferroviários. Todos os especialistas consultados concordam que é fundamental destinar recursos de maneira constante e contínua, especialmente nas linhas mais movimentadas, como as ferroviárias urbanas. O retorno à normalidade total ainda parece distante.