Reencontro de Gustavo Petro e Donald Trump Marca Nova Fase
O presidente colombiano, Gustavo Petro, conhecido por seus anúncios impulsivos, vem demonstrando um lado mais institucional desde seu retorno de uma reunião com Donald Trump na Casa Branca. Durante sua visita, o colombiano apresentou um discurso moderado, contrastando com sua postura mais provocativa do passado.
Em fevereiro de 2026, seis meses depois de ter criticado Trump em uma manifestação em Nova York, onde denunciou ações no Oriente Médio e desafiou a política americana, Petro retornou ao cenário diplomático com um novo tom. Ele expressou respeito por Trump, enfatizando que aprecia a sinceridade deste em uma conversa no gabinete oval. Essa mudança de atitude sinaliza um ajuste em sua estratégia de comunicação, buscando acertar contas com críticos que pediam uma postura mais diplomática.
Recentemente, Petro enfrentou desafios eleitorais em sua base, com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciando que seu candidato, Iván Cepeda, não poderia participar de uma consulta interpartidária. Ao invés de incitar manifestações populares ou convocar assembleias, o presidente optou por um caminho judicial, considerando a decisão do CNE um ataque ao direito de escolha do povo. Ele pediu aos juristas colombianos que buscassem medidas legais para restaurar a Constituição e a Convenção Americana.
Antes de se encontrar com Trump, a Corte Constitucional também congelou um decreto de emergência econômica do governo, uma medida sem precedentes. Petro, ao criticar essa ação, utilizou um tom contido, afirmando que isso representava uma ruptura da ordem constitucional em favor de um governo que apoia os trabalhadores. "É o povo que agora decide", declarou, referindo-se às próximas eleições.
No pós-reunião com Trump, Petro revelou que abordou apenas questões eleitorais com o encarregado de negócios nos EUA. O senador republicano Bernie Moreno, presente no encontro, indicou que os Estados Unidos estariam atentos ao processo eleitoral colombiano, enfatizando a importância de garantir eleições transparentes e justas.
Segundo a analista Sandra Borda, esse encontro foi crucial para esclarecer que a Casa Branca deseja garantias de que Petro se absterá de tentativas de reeleição e que estará atenta a qualquer passo em falso que possa justificar uma intervenção. O contexto atual também sugere que a administração americana não deseja repetir erros do passado, onde intervenções em países da América Latina acabaram por fortalecer líderes de esquerda.
A segurança também foi um ponto de virada. Um dia após a reunião, Petro autorizou um bombardeio contra a guerrilha do ELN na região do Catatumbo, marcando uma escalada nas ações militares no país. Essa manobra é significativa, considerando os esforços de paz que ele havia tentado estabelecer com o grupo anteriormente. "Estou conversando com Trump sobre operações conjuntas contra o narcotráfico", afirmou em uma entrevista, destacando a nova postura de enfrentamento ao ELN em um contexto de parceria estratégica com os EUA.
Os silêncios estratégicos também chamam a atenção. Durante sua visita, Petro se absteve de mencionar os ataques a pontos ligados ao narcotráfico, criticados por serem chamados de execuções extrajudiciais. O discurso da delegação colombiana alinhou-se com a retórica de Trump, definindo a Colômbia como o principal aliado dos EUA na guerra contra o narcoterrorismo, um afastamento notável das suas propostas anteriores de despenalização das drogas.
A recepção da postura pragmática de Petro foi mista. Enquanto seus críticos na direita o acusam de hipocrisia, muitos na esquerda reconhecem a necessidade de uma diplomacia mais sutil e calculada. O ex-presidente Álvaro Uribe criticou o presidente por sua nova postura, enquanto outros observadores celebram a mudança como um sinal de amadurecimento político.
Com apenas seis meses até as próximas eleições, fiquei evidente que Petro deve balances sua abordagem, tentando manter um tom de moderado e pragmático enquanto navega por estas complexas dinâmicas políticas tanto internas quanto externas.