Governos brasileiros apostam em influenciadores digitais para comunicação
Com um toque de humor e ironia, criadores de conteúdo têm se tornado peças-chave na divulgação de ações governamentais. Esta nova tática digital, utilizada por administrações do Brasil, cresceu exponencialmente, especialmente no mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2025, o governo federal ampliou seu orçamento digital em 200%, totalizando R$ 144 milhões, em um esforço para utilizar influenciadores digitais como veículos de informação sobre serviços e programas públicos. Essa estratégia é marcada pelo uso de comunicação envolvente, porém, gera preocupações sobre a falta de transparência e regulação.
Na véspera das eleições, o foco aumentou sobre influenciadores conhecidos nas redes sociais, que ajudam a veicular ações e serviços públicos em plataformas como Instagram. Desde agosto de 2025, 42 influenciadores têm colaborado com o governo, com posts frequentes sobre temas como mudanças no Imposto de Renda e o programa Luz do Povo.
Uma Nova Era de Comunicação
O diretor da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, destacou que o orçamento digital cresceu de R$ 47 milhões em 2024 para R$ 144 milhões em 2025, refletindo uma tendência de investimento robusto em plataformas digitais. No entanto, especialistas alertam que esses números podem não representar toda a realidade, já que não incluem custos de produção e cachês dos influenciadores.
A abordagem criativa das postagens, que muitas vezes imitam o estilo dos influenciadores, tem gerado maior envolvimento do público. Influenciadores como Rodrigo Góes, que acumulam milhões de seguidores, acreditam que sua atuação tem um papel importante na disseminação de mensagens de interesse coletivo, especialmente em saúde pública.
Transparência Sobre Parcerias
Embora as publicações sejam claramente sinalizadas como parcerias, as informações sobre os valores pagos a cada influenciador permanecem em sigilo. A Secom afirma que a participação de influencers segue a legislação vigente e é mediada por agências contratadas, evitando qualquer contato direto entre o governo e os criadores de conteúdo.
A estratégia se expande além do governo federal. Estados como o Rio Grande do Sul e Minas Gerais estão investindo em influenciadores para promover ações locais, como novos materiais escolares e projetos de infraestrutura. Em São Paulo, influenciadores também têm sido usados para comunicar iniciativas relacionadas à proteção das mulheres e ao estado de saúde pública.
Entretanto, a falta de uma tabela nacional de preços e a diversidade nas cobranças individuais dos influenciadores levantam questões sobre a qualidade da informação divulgada. Especialistas ressaltam a importância de uma comunicação pública responsável e a necessidade de regulamentações mais claras para esse tipo de parceria.
Críticas e Desafios Futuros
Marcelo Vitorino, professor de marketing político, expressou sua preocupação sobre a regulação e a falta de transparência nesse novo modelo de comunicação. Apesar da legislação que proíbe propaganda paga durante o período eleitoral, existem riscos associados ao uso contínuo de influenciadores pelo governo ao longo do tempo. Vitorino destaca que a independência de expressão dos influenciadores poderia ser manipulada em prol de campanhas eleitorais.
O governo de São Paulo reforçou que a escolha de criadores de conteúdo é feita com base em critérios como aderência ao tema e alcance do público, mas as informações sobre a remuneração e os processos de seleção raramente são expostas publicamente. Isso deixa muitas perguntas sem resposta sobre a ética e a prática dessas ações.
Com o investimento em formas de comunicação mais modernas e diretas, o Brasil está moldando um novo panorama no diálogo entre governo e sociedade, mas isso deve ser acompanhado de rigorosas considerações sobre transparência e responsabilidade.