Acidentes de Trânsito: Um Custo Elevado para a Saúde Pública
Dados recentes revelam que os acidentes de trânsito em três cidades do interior de São Paulo, especificamente São Carlos, Araraquara e Rio Claro, geraram um custo superior a R$ 167 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre janeiro e dezembro do ano passado. Neste período, foram registrados 1.281 acidentes, com Araraquara se destacando como a cidade com o maior número de mortes no trânsito.
De acordo com o Sistema de Informações Gerenciais de Sinistros de Trânsito (Infosiga), Araraquara contabilizou 35 mortes e um gasto de mais de R$ 60 milhões no atendimento às vítimas. Em comparação, Rio Claro teve 33 mortes e São Carlos, 26. A gravidade dos acidentes alude à necessidade urgente de ações de prevenção e conscientização sobre segurança no trânsito.
Experiência de Vítimas de Acidentes
A atendente Vanessa Cristina Alves da Silva, residente em São Carlos, é uma das vítimas desse cenário alarmante. Em um acidente ocorrido em dezembro, ela foi atropelada por um veículo em alta velocidade. "Só escutei o barulho do carro vindo a mil, apaguei. Quando abri os olhos, estava no chão, com pessoas me ajudando. Fui informada de que o carro havia fugido". Ela fraturou a patela da perna esquerda e atualmente está se recuperando. Este marca o terceiro acidente que a leva a ser atendida devido à imprudência de motoristas.
Outro relato impactante é o de Joyce Bernardo, uma técnica de logística que também sofreu um acidente em Araraquara. Joyce fraturou uma vértebra e o fêmur, e após mais de três meses de recuperação, ainda enfrenta dificuldades de locomoção. "Estava apenas seguindo minha rotina quando fui atingida por um veículo em alta velocidade", comentou.
Esses casos ilustram não apenas o custo financeiro para o sistema de saúde, mas também o impacto emocional e físico que os acidentes de trânsito têm sobre as vítimas e suas famílias.
Perspectivas e Dados sobre a Redução de Acidentes
Apesar do elevado número de acidentes, o secretário de Mobilidade Urbana de São Carlos, Sebastião Batista, ressalta que houve uma redução no número total de acidentes e mortes na área. "Estamos vendo uma diminuição de 31% nos acidentes e uma queda de 25% nas mortes. É importante ressaltar que mais de 90% dos acidentes estão associados ao fator humano", declarou Batista.
Com a faixa etária mais afetada entre 18 e 25 anos, é crucial que campanhas de conscientização alcancem jovens motoristas e seus comportamentos ao volante. A proposta é que a educação e a sensibilidade em relação ao trânsito possam resultar em um futuro mais seguro para todos.
O Papel do Sistema de Saúde
O impacto dos acidentes deve ser avaliado com atenção tanto do ponto de vista da saúde pública quanto da segurança viária. O médico ortopedista Rafael Ferreira, que atende muitas das vítimas no Hospital Carlos Fernando Malzoni, aponta que muitos pacientes são usuários do SUS. Ele descreveu um caso crítico em que um paciente chegou ao hospital após sofrer uma amputação suprapatelar em um acidente. "É frustrante não conseguir devolver a função que o paciente tinha anteriormente", expressou Ferreira, evidenciando a gravidade dos procedimentos médicos que os acidentados frequentemente precisam enfrentar.
A situação realça a urgência do tema: como minimizar os custos e salvar vidas através da educação, campanhas de prevenção e melhoria das condições das vias e fiscalização no trânsito.
A realidade dos acidentes de trânsito não é apenas uma questão de números, mas de vidas interrompidas e famílias impactadas. Com o suporte adequado e políticas efetivas, é possível vislumbrar uma sociedade mais segura e consciente.