Moradores da Vila Chico Amaral desenvolvem sistema online para monitoramento de trem
Moradores da Vila Chico Amaral, em Campinas (SP), têm enfrentado um problema recorrente: um trem de carga que pode parar por horas na passagem de nível do bairro. Essa situação causa sérios transtornos na circulação de veículos, principalmente para motoristas que tentam fugir do trânsito na Rodovia Campinas–Monte Mor. Quando a passagem está bloqueada, os condutores precisam optar por um desvio que se estende por quase quatro quilômetros, passando por estradas em péssimas condições.
Para mitigar esse problema, os moradores se uniram e instalaram um sistema de monitoramento que transmite imagens ao vivo da linha férrea. Com isso, os residentes conseguem verificar se o trem está parado antes de decidirem seguir pelo trajeto.
Impacto no transporte público e cotidiano
O bloqueio causado pelos vagões não afeta apenas os motoristas, mas também compromete o transporte coletivo. A linha de ônibus 254, por exemplo, é obrigada a desviar quando a passagem está fechada, causando atrasos para os passageiros. Em muitos casos, os usuários são forçados a descer do ônibus antes do bloqueio e buscar outras opções de transporte do outro lado da linha férrea.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) está ciente dos problemas gerados pelo bloqueio e informou que a desvio da linha 254 ocorre periodicamente, a cada 10 ou 15 dias, durante as horas em que os vagões permanecem parados. Além disso, a situação já foi reportada à concessionária Rumo, que é responsável pela operação do trem.
Testemunhos dos moradores
O técnico de telecomunicações Jonatan Silva relatou que, em uma manhã recente, o trem ficou parado das 6h às 17h30. Ele enfatizou a rotina de espera que muitos enfrentam: "É todo dia. Desde de manhã ele fica aí. De manhã, de tarde, mais de duas horas. À noite, fica até umas 11 horas quase parado".
Juliana Costa, uma moradora e pintora, reforçou a necessidade do sistema: "Subimos no YouTube para não perder tempo vindo até aqui e tendo que voltar. Já teve situação de socorro de hospital, de madrugada, em que o trem estava parado e tivemos que dar meia-volta".
Consequências para os estudantes
A passagem bloqueada também impacta a rotina de estudantes que frequentam a Escola Municipal João Alves dos Santos, situada nas proximidades. Alguns alunos se arriscam ao atravessar entre os vagões ou precisam percorrer um caminho consideravelmente mais longo para voltar para casa. Vilson Pontes, um técnico de manutenção e morador do bairro há quase trinta anos, lamenta: "É a vida de todo mundo que fica travada. O ônibus para, volta, o bairro fica isolado por causa do trem".