Ford Enfrenta Maior Prejuízo Desde 2008 com Desafios em EVs
A gigante automotiva Ford divulgou um dos piores desempenhos financeiros dos últimos anos, registrando um prejuízo líquido de US$ 8,2 bilhões em 2025. Este resultado negativo é o maior desde a recessão de 2008 e reflete, em parte, as dificuldades enfrentadas por sua divisão de veículos elétricos, que perdeu US$ 4,8 bilhões no mesmo ano.
As vendas de veículos elétricos foram severamente impactadas, principalmente devido às mudanças nas políticas governamentais, como a redução do crédito fiscal federal de US$ 7.500 promovida pela administração Trump, que tinha sido inicialmente estabelecida na administração Biden em 2022. A decisão prejudicou a maioria dos fabricantes de automóveis, incluindo a Ford, que havia se comprometido com um futuro eletrificado.
Em resposta a essa situação, a Ford anunciou uma mudança em sua estratégia, que agora prioriza a eletrificação parcial, ao invés da total. Uma das medidas mais significativas foi a decisão de cancelar o projeto do veículo elétrico F-150 Lightning, uma picape elétrica muito esperada.
Durante uma teleconferência com investidores, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou: "Acho que o cliente se manifestou. Essa é a mensagem principal". A projeção para 2026 não é animadora, com executivos da montadora esperando perder entre US$ 4 e US$ 4,5 bilhões a mais, sem expectativa de equilíbrio financeiro até cerca de 2029.
Na ausência do crédito tributário, a Ford, juntamente com outras montadoras como a GM, aposta em dois fatores para estimular a demanda nos EUA: afordabilidade e condução autônoma. Um dos pontos centrais desse plano é o lançamento de um veículo elétrico de cerca de US$ 30.000 com tecnologia de condução "sem mãos", programado para ser revelado em 2028. Esse modelo seria mais acessível que as opções atuais da Tesla, as quais começam em mais de US$ 36.000.
Entretanto, Farley destacou que a situação é bastante diferente internacionalmente. "A verdadeira questão que eu me pergunto é: 'como os chineses mudarão o jogo?'", referindo-se ao fato de que enquanto a indústria de EVs americana enfrenta dificuldades, as montadoras chinesas se beneficiam de subsídios governamentais que lhes conferem um poder de preços impressionante. Assim, os veículos elétricos chineses são oferecidos a preços extremamente competitivos, o que complica a concorrência para os fabricantes americanos em mercados externos.
Recentemente, o Canadá decidiu permitir a importação de veículos elétricos chineses, o que representa mais um desafio para as montadoras americanas. Na primeira vez em 2025, a gigante chinesa BYD superou a Ford em vendas globais de veículos, destacando ainda mais a pressão que a montadora americana enfrenta. Para mitigar esse desafio, a Ford está em negociações com a Geely da China para uma possível parceria.
Além do impacto da redução do crédito fiscal, a Ford também sofreu com tarifas. Uma mudança inesperada nas disposições tarifárias no final de dezembro resultou em menos alívio tarifário do que o esperado, o que acabou dobrando os custos relacionados a tarifas para US$ 2 bilhões.
Apesar dos desafios, executivos da Ford demonstram otimismo para o novo ano. Farley mencionou: "Esperamos um ambiente político mais estável para parcerias com a administração este ano, especialmente dada a reavaliação nos padrões de emissões". Esta reavaliação refere-se à decisão da administração Trump de reverter a nacionalização dos padrões de eficiência de combustível (CAFE), o que gerou contentamento entre alguns fabricantes de automóveis e grupos da indústria de petróleo, mas foi amplamente criticado por ambientalistas.