Greve no setor ferroviário mobiliza sindicatos e gera cancelamentos de serviços
A greve no setor ferroviário na Espanha, liderada pelos sindicatos CGT, Alferro e Sindicato Ferroviário, continua a causar desdobramentos e impactos nas operações, especialmente nas linhas de alta velocidade. Os sindicatos minoritários decidiram manter a mobilização até amanhã, o que resultou na renúncia de um total de 39 serviços por parte das empresas Iryo e Ouigo.
Os passageiros enfrentaram dificuldades na estação Sants, em Barcelona, durante a segunda-feira, 9, que marcou o início das greves no setor. O acordo assinado entre o Ministério de Transportes e os sindicatos majoritários, como Semaf, CC OO e UGT, visava encerrar a mobilização em defesa de uma melhoria na manutenção das infraestruturas. No entanto, o pacto não foi aceito pelos sindicatos minoritários, que representam cerca de 20% dos trabalhadores.
Mesmo após a assinatura do acordo, os três sindicatos mantiveram sua mobilização, tipicamente exigindo serviços mínimos, especialmente em relação à alta velocidade oferecida por Iryo e Ouigo, onde têm representação. Para garantir a operação dessas empresas durante a greve, um percentual de 74% de serviços mínimos foi estabelecido. Em resposta ao pacto, a direção da Renfe solicitou a revogação das determinações de serviços mínimos, uma vez que os sindicatos minoritários teriam baixo impacto na empresa.
Após o meio-dia, a Renfe informou que apenas 2% do seu pessoal aderiu à greve, e os serviços começaram a se normalizar progressivamente. Apesar disso, as empresas estavam lidando com algumas demoras e alterações pontuais nos serviços devido à continuidade da greve dos sindicatos minoritários. O governo vasco também pediu a continuidade dos serviços mínimos devido às suas implicações na região.
Os primeiros impactos da greve foram visíveis nas Cercanías de Madrid, onde a empresa pública revelou que os serviços mínimos foram apenas parcialmente cumpridos nos horários da manhã. Os viajantes, incertos sobre os horários dos trens, aguardavam nos andenes, enquanto a Renfe tentava acalmar os usuários, prevendo que os efeitos da greve seriam mínimos. Ajustes nos serviços ocorreram logo pela manhã, especialmente nas linhas C-7 (Alcalá de Henares-Príncipe Pío) e C-2c (Guadalajara-Chamartín).
No que diz respeito à operação da Renfe em Rodalies de Catalunya, foi anunciado que a mobilização do setor havia sido desconvocada, prevendo-se a recuperação dos serviços habituais, embora fossem alertados para possíveis alterações no início do dia. Planos alternativos de transporte continuavam ativos nas linhas R3, R4, R7, R8, R15 e RL4.
Companhias de alta velocidade, como Iryo e Ouigo, foram obrigadas a cancelar um total de 39 trens durante a greve. Para a Iryo, que tem representação dos sindicatos CGT e Alferro, são nove trens cancelados na terça-feira e dez na quarta-feira. Já a Ouigo, também com CGT entre seus sindicatos, manterá a suspensão de dez serviços neste primeiro e último dia da greve.
Em um comunicado, o CGT destacou que os acordos firmados pelos sindicatos majoritários não representam uma mudança real no modelo ferroviário e são considerados apenas um "novo remendo" destinado a desativar o conflito sem abordar questões fundamentais do setor. Os sindicatos minoritários reclamaram de não terem participado das negociações, as quais contaram com a presença do ministério e das direções da Adif e Renfe.
"Não existem medidas reais e imediatas que garantam a segurança, mas sim burocracia e planos sem impacto nas operações diárias. Não é suficiente", afirmou a Alferro em suas redes sociais.
Após a concordância em reforçar os investimentos em manutenção das redes ferroviárias, com 1,8 bilhões de euros adicionais até 2030, e a criação de 3.600 empregos nas operadoras, os sindicatos ainda alertam sobre precariedades, sobrecarga de trabalho e a falta de recursos nas empresas privadas do setor. A manifestação ocorre em um contexto de demandas por mudanças legislativas e maior investimento na manutenção das infraestruturas, especialmente após os trágicos acidentes em Adamuz e Gelida, que resultaram na morte de 47 pessoas entre 18 e 20 de janeiro.
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