El nome na parede: a luta contra o fascismo em destaque
Hervé Le Tellier traz à tona a vida e morte de André Chaix, um jovem que se uniu à Resistência Francesa e morreu em 1944 com apenas 20 anos. O autor lamenta a pervivência do fascismo e traz uma reflexão importante sobre as questões sociais e políticas atuais.
André Chaix, um jovem aprendiz industrial da aldeia de La Paillette, se juntou à Resistência durante a ocupação nazista da França. Le Tellier faz uso de fotografias, documentos de arquivos e depoimentos de familiares de Chaix que ainda residem na região para contar sua história. Com isso, ele constrói um relato que, embora pesado em seu conteúdo, é uma tentativa de dar voz aos ideais pelos quais Chaix e muitos outros lutaram e morreram.
O título "El nome na parede" refere-se a um nome que o autor encontrou em um muro de sua nova casa e que estava também registrado em um monumento local aos que morreram pela pátria. Isso instigou Le Tellier a investigar a vida de Chaix. O livro é, portanto, uma homenagem que busca conectar o passado com as preocupações do presente.
Le Tellier, que é escritor, matemático e crítico literário, não apenas narra a história de Chaix, mas também expressa sua indignação e preocupação com a atual ascensão de ideais fascistas no mundo contemporâneo. Em suas palavras, "não há dúvida de que é necessário continuar falando sobre a ocupação, colaboracionismo e fascismo, racismo e rejeição do outro até chegar à aniquilação". Ele enfatiza a importância de não ignorar o monstro que André Chaix enfrentou.
No entanto, o livro se desvia em várias digressões sobre a responsabilidade da Alemanha após os crimes do nazismo e como a "desnazificação" foi realizada de forma inadequada tanto na Alemanha quanto na França. Le Tellier faz paralelos entre o colaboracionismo francês e o atual Rassemblement National, além de explorar questões sociológicas sobre a obediência e a solidariedade durante a guerra.
Embora o trabalho de Le Tellier aborde temas cruciais, existem críticas quanto ao estilo. Muitos se perguntam se a sua escrita não poderia ser mais ousada, já que ele faz parte de um grupo de experimentação literária. Em várias passagens, o livro parece ter um tom didático, que remete a uma utilização escolar, onde boas ideias aparecem, mas frequentemente já foram expressadas de forma mais impactante por outros autores.
As declarações do autor, como a necessidade de "levar a sério os nazistas" ou que "a vida, como filmes em preto e branco, está cheia de cinzas", são interessantes, mas acabam pesando menos do que a homenagem a aqueles que combateram o fascismo. Assim, enquanto Le Tellier brinda as ideias com uma fundamentação sólida, a forma de apresentá-las pode deixar algo a desejar.
Título: El nome na parede
Autor: Hervé Le Tellier
Tradução: Pablo Martín Sánchez
Editora: Seix Barral, 2026
Páginas: 192
Em um contexto onde a reflexão sobre o fascismo é urgente, "El nome na parede" se destaca por trazer à tona uma narrativa que busca conectar o ontem com o agora, reforçando a importância da memória e da resistência.