Mudanças no carnaval de rua de SP após tumultos no pré-carnaval
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), anunciou mudanças significativas na organização do carnaval de rua, após os tumultos que ocorreram durante o pré-carnaval. Os eventos do último domingo (8), que contaram com a presença do DJ Calvin Harris e do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, resultaram em superlotação e caos na Rua da Consolação, levando a uma reavaliação do esquema de segurança e tráfego dos foliões.
Conforme declarado por Nunes, uma das principais alterações será a proibição dos caminhões de som de pararem durante o cortejo. Além disso, os tapumes na Praça Roosevelt serão retirados, visando facilitar o escoamento dos foliões, especialmente em casos de novas superlotações. O prefeito enfatizou que "o caminhão não pode parar pra quem tá lá embaixo não querer subir pra acompanhar o som [e causar tumulto]. Eles têm que saber que o caminhão vai chegar lá. Na semana passada o caminhão ficou 1 hora e 40 parado".
A Praça Roosevelt, que estava fechada com tapumes durante o pré-carnaval, terá seu acesso facilitado para melhorar a fluidez do público durante os blocos nos próximos dias de festa e após o evento, especialmente com a presença do bloco ‘Pipoca da Rainha’, da cantora Daniela Mercury. O prefeito ainda mencionou que, após os eventos, serão realizadas reuniões de avaliação para fazer ajustes necessários na organização, a fim de evitar problemas semelhantes no futuro.
Sobre o sucesso do pré-carnaval, Nunes destacou que mesmo diante dos incidentes, o evento atraiu um número crescente de foliões. Ele comentou que "a cada ano o carnaval de rua tem sido mais atraente", citando que, há dez anos, a cidade contava com apenas cento e poucos blocos, enquanto este ano foram registrados 627. "Cada ano a gente vai ter um número maior de pessoas e a gente vai ter que se adequar na infraestrutura, para acompanhar esse crescimento com a estrutura necessária", afirmou o prefeito.
Por outro lado, as medidas de segurança e controle nas grandes concentrações de público foram questionadas com a recente superlotação. Relatos de foliões indicam dificuldades de saída e sensação de sufoco devido ao uso de gradis, tapumes e corredores estreitos nas áreas de evento. A segurança foi um ponto focal nas discussões emergentes sobre a gestão dos blocos de rua em São Paulo, refletindo preocupações com o modelo adotado, que difere de outras capitais brasileiras conhecidas por seus grandes carnavais, como Recife e Salvador.
Uma nota técnica elaborada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) indicou que o uso de gradis pode ser vital para a segurança, mas precisa ser implementado seguindo critérios rigorosos de planejamento. Especialistas alertam que o confinamento de grandes multidões em espaços reduzidos sem rotas de fuga adequadas aumenta o risco, mesmo em eventos que não envolvem violência. Mariana Aldrigui, professora da Universidade de São Paulo (USP), destacou que a densidade elevada de público é potencialmente perigosa, alertando que, com seis pessoas por metro quadrado, o risco de pisoteamento se torna uma preocupação real.