IA Desplugada: A Revolução na Educação Brasileira
Um grupo de pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em parceria com especialistas de Harvard, desenvolveu o conceito de Inteligência Artificial Desplugada na Educação (IAED-U), que busca levar tecnologias educacionais de ponta a escolas com baixa qualidade ou instável de conexão. Essa inovação é especialmente necessária em países com infraestrutura educacional precária, como Brasil, México, Peru, Filipinas, Quênia e Namíbia.
A IA desplugada na educação considera o contexto local para otimizar a aplicação da tecnologia. Segundo o professor Ig Ibert Bittencourt, da Ufal, essa abordagem leva em conta a infraestrutura disponível, os dispositivos acessíveis e as capacidades dos docentes. "Entendemos que cada local tem suas próprias necessidades, e é isso que molda a eficácia de soluções tecnológicas na educação", explica o professor, que é um dos autores do artigo publicado em 2023 juntamente com Seiji Isotani, Geiser Challco, Diego Dermeval e Rafael Mello.
No Brasil, cerca de 50 escolas estão participando de projetos-piloto que aplicam o conceito de IA Desplugada. Os resultados são considerados promissores pelos envolvidos. Rafael Mello, diretor de tecnologia do IA.Edu, destaca cinco dimensões essenciais para que a aplicação da IA seja efetiva:
- Funcionar em equipamentos simples;
- Requerer baixo nível de conectividade;
- Permitir que um único aparelho sirva para múltiplos usuários;
- Ser simples o suficiente para que o professor não precise de conhecimento tecnológico avançado;
- Precisar sempre da mediação de um professor com os alunos.
"Do ponto de vista técnico, usamos os mesmos modelos de inteligência artificial encontrados nas soluções convencionais, mas adaptamos o design e a forma como os resultados são apresentados para atender a essa realidade", afirma Mello.
Embora 86% das escolas públicas brasileiras tenham acesso à internet na área administrativa, apenas 40% podem oferecer conexão aos alunos, conforme dados do Censo de Educação Básica de 2024. Por isso, a equipe da IA.Edu desenvolveu uma aplicação que opera com intensidade baixa de internet, permitindo que os professores realizem correções e avaliações em um único momento, quando se deslocam até um local com conexão.
Um exemplo prático da aplicação é o Tutor Desplugado, que permite ao professor identificar quais tópicos não foram aprendidos pelos alunos em uma determinada aula. Com isso, ele consegue personalizar o diagnóstico do aprendizado por grupo ou por aluno, uma tecnologia muito comum em contextos educativos com alta conectividade, mas que agora se expande para regiões com menos recursos.
No funcionamento do Tutor Desplugado, os alunos realizam exercícios em seus cadernos. O professor, então, fotografa as respostas e envia as imagens para um aplicativo que requer apenas essa etapa de conexão à internet. A partir disso, a plataforma corrige as atividades, fornece feedback e gera relatórios alinhados ao currículo escolar.
O grupo de pesquisa também desenvolveu uma segunda etapa, focada no apoio contínuo aos professores. Com essa evolução, a plataforma não só diagnostica, mas também fornece planos de aula para reforçar tópicos onde a turma está apresentando dificuldades.
A regulamentação em torno do uso de inteligência artificial na educação no Brasil está em pauta. O Conselho Nacional de Educação (CNE) pretende votar ainda este mês uma regulamentação que inclui o ensino sobre essa tecnologia nos cursos de Pedagogia e Licenciatura, abordando princípios éticos e a utilização responsável.
Outras regiões do mundo também estão adotando o conceito de IA Desplugada de maneiras inovadoras, adaptando-se às suas realidades. Por exemplo, em áreas onde muitos alunos ainda utilizam celulares antigos, a solução encontrada foi o envio de mensagens de texto. Essas mensagens são enviadas para uma central de IA, onde os alunos recebem respostas às suas perguntas, um método que está sendo implementado em escolas da África do Sul, Quênia e Namíbia.
Outro modelo de sucesso pode ser encontrado nas Filipinas e na América Latina, onde se utiliza a criação de redes locais simples, uma espécie de intranet, que pode processar dados independentemente da conexão com a internet.