Exumação de educadora em SP ganha destaque. Reprodução: G1
A morte da educadora Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, de 42 anos, em abril de 2025, gerou uma série de questionamentos e investigações que agora se concentram em possíveis indícios de envenenamento. Inicialmente considerada natural, a morte de Tatiane foi oficialmente contestada por sua família, que alegou que a educadora vivia uma relação conturbada e havia descoberto uma traição do marido.
A situação tornou-se mais complexa quando a Justiça autorizou a exumação do corpo de Tatiane, realizada na última quarta-feira (11) por uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. O objetivo do procedimento foi coletar amostras de órgãos para análises laboratoriais que possam esclarecer as circunstâncias da morte. O laudo dos exames ainda está pendente, e não há uma data prevista para sua entrega.
Conforme o relato da família, Tatiane faleceu após participar de um churrasco na casa do marido. Sua filha mais velha, que estava presente no momento, descreveu que acordou ao ouvir o pai chamando. Ao chegar ao quarto, encontrou a mãe imóvel na cama, com indícios de vômito ao seu lado. Apesar das tentativas de reanimação e do chamado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Tatiane não resistiu.
A investigação revelou que um exame necroscópico realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO) indicou um inchaço anormal no fígado de Tatiane, conhecido como hepatomegalia, com a causa ainda desconhecida. A conclusão inicial apontou que a morte foi decorrente de broncoaspiração, ou seja, quando líquidos ou sólidos entram nas vias respiratórias. Contudo, a família de Tatiane discorda dessa conclusão, alegando que ela era uma pessoa saudável e que mantinha seus exames de saúde em dia.
"Ela tinha seus exames em dia e estava se preparando para um procedimento estético. Não havia indícios de que a saúde dela estivesse comprometida", declara a irmã Elaine Cristina Santos Tristão. Entretanto, agregam que Tatiane começou a apresentar sintomas como diarreia, vômito e dores de cabeça dias antes do falecimento, atribuídos ao estresse e sobrecarga no trabalho.
A relação de Tatiane com seu marido, William Ferreira Cardozo, era marcada por conflitos e desentendimentos. Há cerca de dez meses, o casal havia reatado, mas a família estava preocupada com o comportamento abusivo de William. Mensagens encontradas na conversa de Tatiane com uma amiga revelam sua tristeza em relação à traição e a agressão sofrida durante uma briga em que William interveio. "Percebi que ela estava infeliz, mesmo após terem se reconciliado", relatou a sobrinha Ana Rita Cintra, mencionando mensagens que faziam referência a uma possível resolução negativa entre o casal no dia 20, data da morte de Tatiane.
Embora a Polícia Civil tenha solicitado a exumação anteriormente, o pedido havia sido negado por alegações de que a funerária aplicou um produto químico que poderia comprometer a análise. Após novas evidências, um novo pedido foi feito em janeiro de 2026, resultando na autorização para a exumação em fevereiro.
A expectativa em torno dos exames laboratoriais é alta. O delegado Davi Abmael, que comanda a investigação, espera que as análises forneçam informações detalhadas sobre a causa da morte. Enquanto isso, o advogado de William, que não esteve presente na exumação, se manifestou afirmando que seu cliente está colaborando com as investigações e acredita em sua inocência.
Atualmente, o caso permanece em investigação pelo sigilo da Polícia Civil, que busca desvendar as verdadeiras causas da morte de Tatiane e esclarecer a situação que envolve a família e o marido da educadora.