Candidatura de Alfredo Gaspar agita disputa pelo Senado em AL
A disputa pelo Senado em Alagoas ganha complexidade com a possível candidatura de Alfredo Gaspar pelo partido Novo, ameaçando dividir o voto bolsonarista e impactar a campanha de Arthur Lira. Renan Calheiros, conhecido como um candidato governista, emerge como uma figura forte nesta disputa, contando com robusto apoio do MDB. No entanto, a aliança entre Lira e Calheiros é considerada improvável, e JHC pode ser um fator disruptivo tanto para Lira quanto para Calheiros.
Alfredo Gaspar, relator da CPI do INSS no Congresso, pode embolar a disputa pelo Senado entre a direita alagoana. No estado, o campo político tem sido dominado pelo deputado federal Arthur Lira (PP), ex-presidente da Câmara, que está em pré-campanha desde o ano passado. Ele tem como principal rival o senador governista Renan Calheiros (MDB), que busca a reeleição.
No final de janeiro, Gaspar recebeu um convite formal para se filiar ao Novo. Embora tenha afirmado que se sente prestigiado no União Brasil e mantenha boas relações com seus correligionários, ele considera que a federação da sigla com o Progressistas (PP), partido de Lira, dificulta seus planos para um salto eleitoral.
— Me identifico muito com o Novo e sou muito grato pelo convite — afirma Gaspar. — Com o cenário da federação União Progressista, não sei se haverá espaço para uma candidatura majoritária para mim.
Em Alagoas, avaliações indicam que a candidatura do deputado poderia prejudicar a campanha de Lira, já que Gaspar é um fervoroso defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro e poderia dividir os votos bolsonaristas, isolando Calheiros na disputa. Os aliados de Lira, no entanto, entendem que é possível haver uma “dobradinha” entre os deputados, posicionando Gaspar como uma opção para um “segundo voto”.
Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, acredita que Gaspar seria um nome “extremamente competitivo”.
— Eu gosto muito dele, que é próximo da nossa bancada federal. O diretório nacional tem grande expectativa no trabalho dele. Estou otimista que ele irá aceitar o convite — diz Ribeiro.
Aliança descartada no cenário político
Apesar da tentativa de aproximação de Lira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Renan Calheiros se destaca como o candidato governista na corrida, confiando na capilaridade do MDB para conquistar votos no interior do estado. O MDB é um partido dominante, controlando cerca de 80 das 102 prefeituras do estado, além de contar com o atual governador, Paulo Dantas, o senador Fernando Farias e a maioria dos deputados da Assembleia Legislativa.
A sigla possui como objetivo eleger o ministro dos Transportes, Renan Filho, como governador e manter dois senadores no Congresso. Segundo Calheiros, a segunda vaga ficará com o próprio MDB ou com outro partido mais à esquerda que possa formar a chapa.
— Faremos aliança com PSD, PSB, PDT, PT e alguns outros. O outro candidato, que poderá ser do MDB ou dos outros partidos que estarão coligados, será escolhido no início de abril — afirmou Calheiros.
Para além de Gaspar, Calheiros enxerga que uma eventual candidatura do prefeito de Maceió, JHC (PL), dificultaria a intenção de Lira de disputar o Senado. Calheiros já descartou qualquer aproximação com o ex-presidente da Câmara, afirmando que não faria aliança com ele.
— Não faremos nenhuma aliança com Lira. Exerço meu quarto mandato em eleições seguidas para o Senado e, se para exercer o quinto eu tiver que me aliar com ele, definitivamente não quero, nesta circunstância, ser senador — ressalta Calheiros.
O governo federal chegou a cogitar a união entre Lira e Calheiros como uma solução favorável para o palanque do presidente Lula em Alagoas.
Desafios para JHC e novas possibilidades
Completando o quadro, JHC, que foi eleito em 2020 e não pode concorrer à reeleição, surge como um candidato capaz de ameaçar tanto Lira em uma possível concorrência ao Senado quanto frustrar a montagem de um palanque forte do MDB, caso decida avançar com uma candidatura ao governo do estado. Apesar da sua alta popularidade em Maceió, ele pode ser acusado de traição em ambas as opções.
Uma alternativa para JHC seria apoiar a candidatura de sua esposa, Marina Cândia, para o Senado, substituindo Eudócia Caldas (PL). A primeira-dama de Maceió, que adota o nome de Marina JHC nas redes sociais, tem se destacado em projetos educacionais e em inaugurações na capital. Além disso, ela vem repercutindo notícias locais que mencionam sua candidatura no cenário eleitoral.