Novo presidente do Peru enfrenta graves acusações de corrupção
José María Balcázar, recentemente nomeado presidente do Peru, está sob forte scrutinização devido a uma série de acusações que vão desde abuso de autoridade até desvio de fundos. O advogado de 83 anos, que ocupa o cargo em meio a uma intensa crise política, terá que enfrentar um julgamento no dia 16 de junho, onde responderá por um suposto roubo aos recursos do Colégio de Advogados de Lambayeque.
As acusações contra Balcázar incluem a apropriação ilícita de verbas, alegando que ele direcionou pagamentos de associados para suas contas pessoais. Caso não compareça ao tribunal, ele poderá ser considerado foragido, resultando em uma ordem de prisão contra ele. A situação é alarmante, pois não há imunidade para Balcázar em razão do cargo atual, já que as notificações sobre as acusações foram feitas no ano passado.
De acordo com a Fiscalia, existem evidências de que houve depósitos em contas pessoais de Balcázar, somando mais de 110 mil soles (aproximadamente 32 mil dólares) somente em 2019, e mais de meio milhão de soles (cerca de 148 mil dólares) em 2020. Essa conta foi encerrada no início de 2021, levantando sérias dúvidas sobre a origem e o destino desses valores.
No entanto, seu passado é ainda mais controverso. Em 2015, Balcázar atuou na defesa de um homem condenado a prisão perpétua por crimes de abuso sexual envolvendo sua enteada. A notoriedade desse caso reacendeu discussões sobre seu caráter e ética profissional, especialmente após declarações que ele fez sobre o casamento infantil durante debates legislativos, gerando grande repercussão na mídia.
O cenário político em que Balcázar ascendeu também é preocupante. Ele entrou para a presidência em meio a uma turbulência associada à seu partido, Perú Livre, fundado por Vladimir Cerrón, atualmente foragido por corrupção. Cerrón, conhecido por suas declarações polêmicas, teve um papel na própria eleição de Balcázar, insinuando que o compromisso com a segurança pública deve ser uma prioridade imediata.
Na última semana, Balcázar também se reuniu com o embaixador dos Estados Unidos, Bernie Navarro, indicando um possível alinhamento diplomático em um contexto global mais amplo, especialmente diante de tensões com a China, um dos principais parceiros comerciais do Peru.
Enquanto isso, a formação de seu gabinete está em andamento, embora muitos ministros de seu antecessor tenham solicitado demissão, aumentando a incerteza em relação à nova administração. A maior tarefa de Balcázar será apresentar um Plano Nacional de Segurança Pública, uma promessa não cumprida pelo ex-presidente José Jerí.
O futuro de José María Balcázar como presidente do Peru parece incerto, sendo cercado por um conjunto de investigações que desafiam não apenas sua liderança, mas também a estabilidade política do país.