O Brasil está vivendo um momento marcante no que diz respeito às transmissões de imóveis, com um aumento significativo no número de casas transferidas através de heranças. Em 2025, mais de 208 mil transmissões foram registradas, representando um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Esse aumento é o maior já observado na história das transmissões de imóveis no país, refletindo uma tendência crescente que se intensificou especialmente na última década.
A evolução histórica dos dados apresenta que as transmissões por herança mantiveram um padrão relativamente estável durante anos, mas a partir de meados de 2015, começou uma fase de crescimento sustentado. Com algumas exceções, como o ano de 2020, quando a pandemia e os procedimentos burocráticos atrasaram muitos trâmites, o aumento se acelerou, especialmente a partir de 2021.
Esse fenômeno não se restringe a uma única localidade; diversas regiões do Brasil estão registrando altos índices de transmissões imóveis por herança. O Sudeste e o Sul, por exemplo, têm visto um aumento considerável nos números, com estados como São Paulo e Rio de Janeiro apresentando altas significativas.
Além das mais de 208 mil transmissões de herança, os dados também incluem um grande número de transações de compra e venda, doações e outros tipos de transmissões. Em 2025, estima-se que mais de 1,1 milhão de imóveis mudaram de mãos no Brasil, somando todas as modalidades.
Um dos fatores que explicam esse aumento nas transmissões de herança é o envelhecimento da população. O Brasil está enfrentando uma transição demográfica, onde o número de óbitos aumentou significativamente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mortes tem se mantido em um padrão crescente, o que reflete uma mudança geracional, onde as primeiras grandes gerações, que adquiriram propriedades nas décadas passadas, estão passando seus bens.
A pesquisa sobre o patrimônio das famílias, disponível pelo Banco Central, revela que a riqueza dos lares brasileiros é composta em grande parte por ativos reais, principalmente imóveis. Mais de 75% da riqueza bruta das famílias é composta por bens como propriedades. Contudo, essa riqueza é distribuída de forma desigual, com a propriedade concentrada em faixas etárias mais avançadas.
Além disso, o sistema tributário no Brasil, que por meio de incentivos fiscais torna as heranças entre familiares diretos mais vantajosas, também tem contribuído para essa tendência. O imposto sobre transmissões de bens, que varia de acordo com os estados, frequentemente apresenta bonificações substanciais que tornam a aceitação de heranças uma alternativa mais atraente em comparação com doações.
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