Mortes de Cães Militares Revelam Problemas nos Canis
Entre 2021 e 2023, quatro cães militares faleceram devido a condições precárias em canis localizados em bases militares. Um recente relatório do watchdog do Pentágono revelou situações alarmantes em 12 canis, onde a falta de priorização de financiamento depreciou as instalações e resultou em escassez de pessoal.
Esses cães, que desempenham funções essenciais em missões de detecção de explosivos e segurança, enfrentaram sérias consequências em sua saúde e bem-estar. Além das mortes relatadas, muitos apresentaram lesões, doenças e sinais de estresse severo. A investigação do escritório do Inspetor Geral do Departamento de Defesa, divulgada na quinta-feira, evidencia falhas na proteção dos cães contra condições climáticas extremas e a ausência de atividades adequadas, levando a um ambiente de estresse constante.
Um exemplo alarmante foi encontrado na 341ª Esquadrão de Treinamento da Força Aérea, localizado na Base Conjunta de San Antonio-Lackland, no Texas, onde se concentra o programa canino militar. Os 230 cães da instalação não receberam as cinco horas diárias de brincadeiras e interação exigidas pela política militar. Em vez disso, eram levados para passeios de três a quatro vezes por semana, com uma duração de cerca de dez minutos, passando a maior parte do tempo confinados em pequenos canis. Quase duas dezenas apresentaram lesões por calor.
O relatório também observou comportamentos estressantes, incluindo movimentos repetitivos e mastigação de tigelas de metal, sinalizando um grave problema de bem-estar. Os investigadores atribuíram as dificuldades em San Antonio-Lackland, em parte, à escassez de funcionários e notaram uma taxa elevada de doenças e lesões em comparação com outras instalações caninas militares.
Além de San Antonio-Lackland, outras bases relataram surtos entre seus próprios cães após a transferência de caninos dessa base, agravados por condições sanitárias inadequadas e práticas de quarentena deficientes. Os cães chegaram a novos locais com distúrbios cutâneos e infecções intestinais, apontando para falhas nas operações de descontaminação.
O relatório destaca que a falta crônica de financiamento e a manutenção adiadas agravam essas condições. Muitos cães continuam abrigados em "instalações de canil envelhecidas e insatisfatórias", o que contribuiu para as quatro mortes e problemas de saúde contínuos.
A Secretaria de Defesa se referiu à Força Aérea, que afirmou "concordar com as recomendações e estar tomando as ações apropriadas". Especialistas em comportamento canino, como Robert Dougherty, ex-manipulador de cães policiais e atual diretor do Programa de Cães de Trabalho da Universidade da Pensilvânia, ressaltam que os problemas de comportamento em canis são comuns, mas algumas instalações são piores do que outras. Dougherty enfatiza que as atividades simples não são suficientes, e programas estruturados que desafiem os cães mental e fisicamente são essenciais para mitigar lesões e melhorar o bem-estar.
Um estudo realizado por veterinários do Exército em 2025 indicou que quase 84% dos cães de trabalho dispensados entre 2019 e 2021 deixaram o serviço antecipadamente devido a doenças neuromusculares, lesões por calor ou problemas de ansiedade.
A resposta da Força Aérea indica que foram alocados quase R$ 170 milhões para melhorias estruturais e contratações de pessoal. Relatórios anteriores já tinham levantado preocupações similares sobre o bem-estar de cães militares. Recentemente, programas equinos militares também foram alvo de críticas severas após uma série de mortes relacionadas a negligência na unidade cerimonial do Cemitério Nacional de Arlington, levando à suspensão de um programa por dois anos para uma reavaliação crítica.
As condições insatisfatórias também atingem tropas humanas, resultando em anos de escrutínio sobre problemas como mofo, falhas sanitárias e instalações deterioradas, embora o Pentágono tenha iniciado várias iniciativas para reparar e substituir algumas dessas instalações.