UE exige cumprimento de acordo comercial pelos EUA
A União Europeia (UE) está pressionando os Estados Unidos para que honrem o acordo comercial firmado no ano passado, diante do anúncio do ex-presidente Donald Trump sobre uma nova tarifa global de 15% em produtos importados. Em meio a essa nova situação, a UE expressou preocupação em relação às isenções previamente acordadas e ameaça congelar a ratificação do acordo no Parlamento Europeu.
A Comissão Europeia, responsável por implementar e gerenciar políticas na UE, está em busca de clareza sobre a questão, enquanto membros de vários partidos políticos do bloco discutem a possibilidade de adiar a aprovação do acordo até que mais informações sejam obtidas. Para tal, uma reunião de emergência foi convocada.
O histórico do acordo comercial entre a UE e os EUA, firmado em 2025, envolve uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, com algumas exceções que já estavam estabelecidas em tarifas setoriais, como as aplicadas ao aço. Em contrapartida, a UE tinha concordado em eliminar tarifas de importação sobre diversos produtos americanos e recuado em ações retaliatórias com a imposição de taxas mais altas.
No último abril, Trump havia introduzido uma taxa global de 10%, além de tarifas adicionais sobre produtos que classificou como recíprocos. Essas medidas foram posteriormente contestadas pela Suprema Corte americana, que derrubou as tarifas. Desde então, Trump implementou uma nova alíquota única de 15% sobre todos os produtos importados.
A Comissão Europeia, em comunicado, destacou que “a situação atual não é propícia para a concretização de um comércio e investimento transatlânticos justos, equilibrados e mutuamente benéficos, conforme acordado por ambas as partes”. A comunicação também reitera que "um acordo é um acordo".
Zeljana Zovko, a principal negociadora comercial do Partido Popular Europeu, manifestou em entrevista à Bloomberg a necessidade de adiar o processo de aprovação, afirmando que “não temos outra opção” a não ser esperar por mais informações sobre a nova política tarifária dos EUA. O Partido Popular Europeu, que é o maior bloco no Parlamento Europeu, encontrará apoio de outros partidos, como a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas e o grupo liberal Renova Europa, em sua tentativa de congelar a ratificação do acordo.