Denunciante de ex-chefe da Polícia pede “plena reserva” de provas
A inspetora que denunciou o ex-diretor adjunto operacional (DAO) da Polícia Nacional, José Ángel González, por agressão sexual, solicitou ao juiz a “plena reserva e salvaguarda” de áudios, listas de chamadas e mensagens direcionadas ao processo. O pedido, feito pelo advogado da mulher, Jorge Piedrafita, visa assegurar que o material só possa ser consultado dentro do tribunal e sob supervisão, a fim de proteger a identidade da denuncianta.
A solicitação ocorre após o juiz responsável pelo caso ter requisitado as supostas evidências que a denunciante afirmou possuir quando apresentou sua queixa contra González, conhecido como Jota dentro da Polícia. A inspetora já havia incluído os áudios que gravou, assim como uma lista das chamadas recebidas do ex-mando e os prints das mensagens enviadas pelo mesmo via WhatsApp.
O advogado enfatiza em seu documento que, desde a aceitação da queixa, houve vazamentos de informações que comprometeram a identidade da denunciante. Ele alerta que o Ministério do Interior tomou medidas de proteção para garantir a segurança da agente, após a subdiretora de Recursos Humanos, comissária Gemma Barroso, assumir interinamente as funções de DAO após a demissão de González.
O juiz ainda deve decidir se atenderá ou não o pedido do advogado. Até o momento, a queixa foi aceita e a audiência do ex-chefe da Polícia foi marcada para 17 de março. A mulher acusa González de agressão sexual, intimidação, lesões psíquicas e desvio de recursos públicos. Segundo os relatos do processo, a agente, que teve um relacionamento afetivo com o ex-DAO, foi levada para sua "residência oficial, pertencente ao Ministério do Interior", onde ocorreu a agressão sexual, que, segundo o advogado, foi registrada em uma gravação de 40 minutos já entregue ao tribunal.
A inspetora afirma que a agressão ocorreu em 23 de abril de 2025 e afirma ter sofrido uma "campanha de assédio" e pressão para não denunciar, supostamente orquestrada pelo comissário Óscar San Juan, que na época era assessor de González e já foi afastado do cargo. Desde julho, a denunciante está afastada do trabalho.
As circunstâncias em torno dessa queixa ganharam notoriedade no Ministério do Interior em 17 de fevereiro, às 18 horas, quando a notícia rapidamente se espalhou pelos meios de comunicação, levando à demissão de González. O ministro Fernando Grande-Marlaska afirmou não ter conhecimento prévio dos fatos denunciados. O governo, liderado pelo presidente Pedro Sánchez, manifestou apoio ao Ministério e assegurou que as ações foram tomadas com "empatia" em relação à vítima. O Partido Popular (PP) pediu a demissão de Marlaska, que afirmou que só deixaria o cargo se a denunciante não se sentisse protegida.
O telefone 016 está disponível para atender vítimas de violência de gênero, suas famílias e círculos de apoio 24 horas por dia, todos os dias do ano, em 53 idiomas diferentes. O número não é registrado na fatura telefônica, porém é importante excluir a chamada do dispositivo. Também é possível entrar em contato por meio do e-mail 016-online@igualdad.gob.es e pelo WhatsApp no número 600 000 016. Menores podem contatar a Fundação ANAR pelo telefone 900 20 20 10. Em emergências, deve-se ligar para o 112 ou para a Polícia Nacional (091) e a Guarda Civil (062). Caso não seja possível realizar a ligação, a aplicação ALERTCOPS pode ser usada para enviar um sinal de alerta à Polícia com geolocalização.