Kim Jong-un reafirma sua liderança e a importância da dissuasão nuclear
No IX Congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, Kim Jong-un foi reeleito como secretário geral da organização, solidificando seu poder e reafirmando a dissuasão nuclear como um dos principais eixos estratégicos do regime. O evento ocorreu em um contexto de reafirmação ideológica e militar, refletindo a previsibilidade dos grandes rituais do regime, conforme reportado pela agência estatal KCNA.
O congresso, que contou com a participação de aproximadamente 5.000 delegados, teve início na última quinta-feira e está programado para durar vários dias. Durante essa reunião, foram enviadas mensagens claras sobre a continuidade do poder absoluto de Kim, a priorização do programa nuclear e a introdução de um possível renovo na elite governante.
No decorrer dos quatro dias de sessões, a reeleição de Kim foi formalmente anunciada, destacando a "vontade inquebrantável e o desejo unânime" dos participantes. Este movimento foi apresentado como uma demonstração de coesão entre o partido, o povo e as forças armadas, visando a "prosperidade do Estado".
Kim, de 42 anos, assumiu a liderança do Partido dos Trabalhadores após a morte de seu pai, Kim Jong-il, em 2011. Desde então, ele tem liderado um regime que segue os princípios do marxismo-leninismo, e sua reeleição representa a manutenção da antiga guarda, além da possibilidade de uma renovação na cúpula do poder.
Durante o congresso, Kim enfatizou o que considera um "salto qualitativo" nas capacidades militares do país, posicionando a Coreia do Norte em uma "base sólida" para sua "cruzada revolucionária". Ele destacou que, sob sua liderança, a capacidade dissuasória do país melhorou radicalmente, com as forças nucleares como o núcleo dessa estratégia.
A narrativa oficial sugere que Kim Jong-un tem construído forças armadas que são capazes de contrabalançar qualquer ameaça de agressão. De fato, o arsenal nuclear da Coreia do Norte é frequentemente apresentado como um pilar da segurança nacional e um elemento crucial para sua projeção internacional.
Apesar da ênfase na dissuasão nuclear, Kim também abordou a questão econômica durante o congresso. Ele descreveu os últimos cinco anos como um período de conquistas no avanço da causa socialista, mas reconheceu as dificuldades enfrentadas devido a sanções e a crise de saúde pública global. Alegou que o partido deve enfrentar "tarefas históricas urgentes" para impulsionar a construção econômica e melhorar o nível de vida da população.
Kim expressou confiança de que a Coreia do Norte superou suas maiores dificuldades e está entrando em uma nova fase de "otimismo e confiança no futuro". No entanto, a falta de detalhes sobre as mudanças na liderança e a forma como os novos líderes serão escolhidos levantam questões sobre o futuro político do país.
Entre as mudanças já confirmadas, destaca-se a saída de algumas figuras veteranas do partido, incluindo Choe Ryong-hae, que foi durante muitos anos um dos principais líderes do regime. Essa mudança pode sinalizar um movimento em direção a uma nova geração de liderança dentro da Coreia do Norte.
Conforme o congresso avança, a atenção se volta para as diretrizes que serão adotadas para o próximo quinquênio, particularmente nas áreas de economia, defesa e diplomacia. Uma das questões em aberto é se a Coreia do Norte enviará uma mensagem específica para os Estados Unidos ou a Coreia do Sul, com os diálogos entre os países atualmente paralisados.