Perícia confirma autenticidade de áudio em caso de venda ilegal de camarotes
Um estudo forense encomendado por conselheiros do São Paulo Futebol Clube atestou a integridade de um áudio que revela um esquema ilegal de venda de camarotes no estádio do Morumbi. A análise, que incluiu parecer forense e avaliação técnica, descartou qualquer sinal de manipulação na conversa entre os diretores Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado.
A investigação teve início após a divulgação do áudio, que ocorreu no final de novembro de 2025, e levou ao afastamento de Schwartzmann, ex-diretor adjunto de futebol de base, e Mara Casares, ex-diretora de eventos. De acordo com o laudo elaborado, o material é considerado íntegro e sem edições digitais. O documento será enviado à Comissão de Ética, que julgará os envolvidos na próxima semana.
O estudo forense consistiu em dois pareceres técnicos. O primeiro, da perita fonoaudióloga Maria Inês Beltrati Cornacchioni Rehder, avaliou a qualidade acústica do áudio. A análise considerou aspectos como saturação, ruídos e relação sinal-ruído, concluiu que não houve manipulação no registro sonoro. O segundo parecer, de caráter tecnológico, foi assinado pelo perito judicial Adriano Miranda Vasconcellos de Jesus, que examinou metadados e realizou uma análise espectrográfica.
A conclusão de ambas as análises confirmou a veracidade do áudio. Maria Inês Rehder afirmou que o discurso entre as três pessoas ouviu-se coerente e coeso, reforçando a autenticidade do material analisado, enquanto o perito em tecnologia classificou o áudio como uma evidência fidedigna, sem sinais de edição ou adulteração.
O conteúdo revelado pelo áudio expôs um esquema clandestino de comercialização de ingressos para camarotes, onde a utilização do espaço no setor leste do Morumbi foi identificada como “sala presidencial”. O documento da denúncia menciona que o direito de uso do camarote teria sido concedido a Rita de Cássia, apontada como intermediária do esquema, e que os ingressos chegavam a ser vendidos a preços exorbitantes, como R$ 2,1 mil na apresentação da cantora colombiana.
Douglas Schwartzmann, em um trecho da conversa, se refere à confiança estabelecida entre os envolvidos, mencionando:
“Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui.”
Após a divulgação do áudio, a Polícia Civil de São Paulo iniciou investigações, cumprindo mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. O clima de instabilidade política no clube culminou na aprovação do impeachment de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, que se viu pressionado a renunciar antes da votação final na Assembleia Geral dos sócios.
Agora, Mara Casares e Douglas Schwartzmann devem enfrentar um julgamento na Comissão de Ética do clube, que é composta por cinco membros e possui autoridade para aplicar sanções que podem chegar à expulsão do quadro social. Os desdobramentos do caso seguem em acompanhamento, refletindo a necessidade de maior transparência e ética nas gestões esportivas.